Botucatu - Um projeto de pós-doutorado na área de controle populacional de animais, desenvolvido por um médico veterinário junto à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), está avaliando os efeitos deletérios, ou não, da contracepção cirúrgica em cadelas. A novidade é que o estudo prevê a implantação de chips no dorso dos animais utilizados no experimento.
A intenção do médico veterinário Alfredo Lima é constituir um banco de dados sobre esses animais que facilitaria a reavaliação futura de cada caso. “Teremos condições de fazer um acompanhamento preciso sobre eventuais problemas advindos da cirurgia realizada a longo prazo, além de obter outras informações”, revela Lima.
O veterinário explica que perguntas do tipo “Esse animal continua vivo? Ganhou peso?”, poderão ser respondidas, pois seu projeto contempla esses dados que podem ser acessados mais rapidamente e com maior exatidão a partir de um chip de identificação cadastrado a um banco de dados. Até o final do seu experimento, o pesquisador pretende chipar 150 animais.
Segundo Lima, a utilização dos chips é relativamente simples. Eles são do tamanho de um grão de arroz e são implantados no dorso dos animais por meio de um aplicador específico.
Como a implantação dos chips para o experimento é feita no mesmo momento da cirurgia de castração, os animais passam pelo procedimento anestesiados. Normalmente, a anestesia não é necessária.
Os chips podem durar até cem anos e são de uso individual e exclusivo. Sua utilização não altera em nada a saúde ou o comportamento dos animais. De acordo com o veterinário, não há dor ou desconforto.
Uma vez chipados, todas as informações sobre os animais vão para um banco de dados chamado Abrachip (Associação Brasileira de Animais Chipados). Ao passar um leitor sobre o dorso do animal, semelhante aos aparelhos de leitura de código de barras utilizados em estabelecimentos comerciais, pode-se ter acesso ao número de identificação. De posse desse número, é possível acessar todas as informações sobre o animal, concentradas no banco de dados da Abrachip.
Pardinho
Como parte do seu projeto de pesquisa, Lima está em tratativas com a Prefeitura de Pardinho para coordenar um programa de chipagem de 90 animais no município, iniciativa pioneira em termos de saúde pública na região. A meta é castrar e chipar grande parte dos animais da cidade.
“A população canina dessa região é relativamente pequena, portanto, é mais fácil de controlar. Nossa intenção é tornar Pardinho um modelo funcional e operacional em termos de controle populacional e bem-estar animal no Estado de São Paulo”, projeta.
Lima pretende aplicar um questionário aos proprietários sobre as possíveis alterações comportamentais e físicas e outros possíveis efeitos da cirurgia de contracepção dos animais que participarão do seu experimento.
A intenção é somar as informações que interessam para a pesquisa com o programa de controle populacional do município. O experimento só atende cadelas, mas a tendência é que se aplique em todos os animais, incluindo cães e gatos machos e fêmeas.
“Um projeto desse tipo, em princípio, pode parecer oneroso para o município, mas é mais barato do que ter que tratar zoonoses como a leishmaniose, que pode acometer muitas pessoas na nossa sociedade”, garante Lima.
“As prefeituras que abraçarem essa idéia vão sair na frente para garantir a saúde de sua população e o bem-estar dos animais”, completa o veterinário.