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Brasileira cria ferramenta para medir sustentabilidade em casas


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São Paulo - Uma ferramenta nacional para avaliar a sustentabilidade dos prédios brasileiros está em desenvolvimento na Universidade Federal do Espírito Santo. Será uma espécie de guia, com uma lista dos impactos ambientais, sociais e econômicos provocados pelas construções, acompanhada de soluções. “Plantar árvore na porta de um edifício e captar água da chuva não são medidas suficientes para uma construção ser considerada sustentável”, diz a coordenadora do projeto Cristina Engel Alvarez, 48 anos, diretora do Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santos, faculdade que agrega de cursos de arquitetura à música.

Apesar de estar costumada ao caos urbano de sua cidade natal, São Paulo, Cristina virou especialista em construções sustentáveis depois de passar duas décadas levantando casas em lugares inóspitos, como regiões propícias a abalos sísmicos e situações climáticas extremas, como ventos de 200 km/h e temperaturas congelantes - sem interferir no meio ambiente.

E o grande laboratório da pesquisadora é a Antártica. “Como lá o impacto é zero, conseguimos testar as conseqüências dos impactos sem interferências externas no resultado”, diz a arquiteta Ana Dieuzeide Santos Souza, 27 anos, braço direito de Cristina na elaboração da nova ferramenta, uma das 30 pesquisadoras que trabalham com a arquiteta.

Cristina desembarcou no Pólo Sul, na década de 80, no início da Estação Antártica Comandante Ferraz. Depois da primeira fase, as pesquisas geográficas expandiram-se para quatro outras ilhas. E aí que entrou Cristina, projetando o primeiro refúgio brasileiro, Emílio Goeldi, na Ilha Elefante. “Foi minha primeira brincadeira de lego”, conta.

“Eu tinha que dar abrigo para nove pessoas, sete homens e duas mulheres. Projetei uma espécie de um trailer, uma caixinha de madeira com apenas 18 metros quadrados, no meio do nada, pintada de verde. A estrutura de madeira era toda encaixada, formando uma espécie de sanduíche com um preenchimento interno de um material isolante. Até hoje me lembro do tamanho de cada uma das peças, de tão exaustivamente que foram desenhadas. Como não havia computador, o projeto foi feito a mão.”

O dimensionamento do material era um dos desafios. Tudo tinha de ser adaptado aos meios de transporte, no caso, navio e helicóptero. E como depois seriam carregados nas costas, nada podia ser pesado. Os técnicos teriam apenas um dia para a construção da parte principal da casa, onde a equipe ficaria abrigada até o fim da obra.

Dois meses por ano Cristina praticamente se muda para Antártica. Depois volta a pilotar programas espalhados em outras áreas protegidas ambientalmente, caso do Arquipélago São Pedro e São Paulo e de Atol das Rocas. “Atol está na boca de um vulcão com coral ao redor. Não há planos lisos. E o transporte do material da casa é feito por bote. Some isso a milhares de baratas, ratos e caranguejos que habitam a região.” Cristina construiu uma casa elevada, sobre pilotis de canos de PVC.

Enquanto Cristina cuida da construção, outros pesquisadores dedicam-se a preservação das águas, coleta de resíduos, e até mesmo da marcação das trilhas. Em Atol das Rocas , a louça é lavada com água do mar e as panelas limpas com areia, por exemplo.

Mesmo ainda sem uma ferramenta de impacto ambiental nas mãos, Cristina afirma que há muitas maneiras de construir prédios mais adequados ao meio urbano. “O primeiro passo seria projetar sobre pilotis, deixando o térreo livre para áreas verdes, aumentando assim a luminosidade das ruas e a visão panorâmica.” Outras técnicas como aquecimento solar energia fotovoltaica (abastecimento de baterias pelo sol) também são técnicas que já existem e que poderiam ser incluídas em projetos comerciais.

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