Cultura

Especial: Workshop discute o jornalismo cultural

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Estudantes e jornalistas de Bauru e da região debateram a cobertura cultural e os desafios encontrados por profissionais da mídia impressa, em atividade realizada pela Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, nos dias 12 e 19 de setembro. O workshop de jornalismo cultural foi coordenado por Karla Beraldo e Diego Molina, responsáveis pelo JC Cultura, suplemento diário do Jornal da Cidade.

Nos dois dias de atividades, os jornalistas abordaram a história da cobertura cultural, o surgimento dos primeiros cadernos temáticos da área, os gêneros de textos nos suplementos e revistas e os critérios de noticiabilidade, entre outros temas. Os dois profissionais também falaram sobre sua rotina no JC, responderam inúmeras perguntas e esclareceram as dúvidas dos participantes em relação à realidade do mercado de trabalho.

Além do debate e explanação teórica, os coordenadores do workshop propuseram a produção de um texto jornalístico para a editoria de cultura. Todos os trabalhos apresentados foram debatidos com os participantes, para que eles pudessem vivenciar a realidade da reportagem em uma redação de jornal diário.

Abaixo, o JC Cultura publica um dos textos produzidos, entre os trabalhos de destaque do workshop. Bruno Piola é estudante do segundo ano de jornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e fez uma crítica sobre o longa-metragem de animação “Up - Altas Aventuras”, que segue em cartaz nos cinemas de Bauru.

____________________

Ao infinito... e além!

Em matéria de longa-metragem de animação, atualmente, a Pixar reina soberana. Desde “Toy Story”, em 1995, ela vem acumulando sucesso atrás de sucesso com seus filmes, todos feitos com computação gráfica. A Disney, percebendo o grande negócio, tratou logo de comprar a “empresa com toque-de-midas”.

Com “Up - Altas Aventuras” (“Up”, Estados Unidos, 2009, direção de Pete Docter), o resultado não poderia ser diferente. O filme, que estreou nos cinemas de todo o Brasil em 4 de setembro, já é sucesso de crítica e público. Segundo o Internet Movie Database (IMDB), site com a maior base de dados de cinema do mundo, o filme já o 73.º filme com maior bilheteria no mundo e tem 97% de aprovação no site “Rotten Tomatoes”.

A pergunta é: o filme é tão bom assim? É. Mas isso não quer dizer que ele seja perfeito. A Pixar ainda esbanja criatividade ao criar uma trama não convencional com personagens idem. Afinal, não é de se esperar como protagonista de um desenho um velhinho de 78 anos ou um vilão que seja mais idoso ainda. Pois esses são dois dos personagens mais importantes de “Up”.

Carl Fredricksen (dublado por Edward Asner na versão original e Chico Anysio na dublada) é um viúvo ranzinza que está prestes a perder sua casa e ir para um asilo por agredir uma pessoa, quando tem uma idéia. Ele decide amarrar balões a sua casa e “transportá-la” até um paraíso tropical na América do Sul (que tem muita semelhança com a nossa Chapada Diamantina), um sonho antigo seu e de sua finada esposa, Ellie.

O vilão da vez é Charles Muntz (dublado pelo veterano do cinema Christopher Plummer na versão original), um aviador que vive no tal paraíso, em busca de uma ave rara para provar ao mundo que ela existe. Muitos anos antes, cientistas concluíram que as provas trazidas por Muntz desse animal eram fraudulentas, o que causou o declínio de sua carreira. No meio dessa história, ainda há espaço para o engraçadinho escoteiro Russell, que viaja junto com Carl por acidente, e é odiado por ele.

A construção dos personagens é o maior trunfo do filme. Seguindo a linha de outros filmes da Pixar, os personagens não são perfeitos nem monocromáticos. Ao contrário, cada um deles não aparenta ser o que realmente é: Karl não é apenas um velho amargo, apenas alguém que sofreu e ainda sofre com a perda da esposa; Russel não é um menininho tão feliz quanto se imaginava; e Muntz não é o típico vilão desumano, embora precisasse de mais desenvolvimento. Eles conseguem sustentar o filme inteiro, deixando o espectador com os olhos grudados na tela para saber o que vão fazer em seguida.

Os aspectos técnicos do filme também são um ponto positivo: as cores estão mais vivas e variadas do que nunca, e a animação, cada vez mais realista. O crítico Roger Ebert classificou “Up” como “um espetáculo visual”.

A trama é magnífica, principalmente a seqüência inicial, quase sem diálogos, que mostra o passar dos anos para Ellie e Carl e porque não conseguiram realizar o sonho de viajar. Também é a parte mais emotiva do filme, mas que não descamba para o trágico ou melodramático. No entanto, percebemos que a história é repleta de clichês na segunda parte do filme, o que é raridade nas produções da Pixar.

A redenção do protagonista ao ler uma mensagem escrita pela esposa, as cenas da batalha entre Carl e Muntz e principalmente o desfecho são apenas alguns exemplos. No entanto, não é nada que comprometa o longa, que consegue fazer rir, vibrar e emocionar o público na medida certa.

Esses pequenos defeitos na trama deixam certo receito quanto ao futuro da Pixar: seria o começo do fim? Com três seqüências confirmadas (“Toy Story 3”, “Carros 2” e “Os Incríveis 2”), estaria a tão louvada criatividade do estúdio acabando? Espera-se que não.

Para terminar, é preciso notar que os efeitos 3D do filme são bem discretos, suaves e apenas dão alguma noção de profundidade: não espere muitos objetos voando em sua direção ou algo parecido. Quem for assistir à versão em 2D não perde muito no aspecto visual.

Bruno Piola

Comentários

Comentários