Internacional

Honduras: aumentam gestões por acordo

Folhapress
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Tegucigalpa - Com o aumento da pressão sobre o presidente golpista, Roberto Micheletti, para que negocie uma saída para a crise política e flexibilize as medidas linha-dura dos últimos dias, Honduras vive uma avalanche de propostas e reuniões e negociações para resolver o impasse causado pela deposição do presidente Manuel Zelaya e acentuado por seu retorno a Tegucigalpa na semana passada.

Ontem, foi a vez de uma comitiva de deputados brasileiros se somar à lista de mediadores, que inclui a Igreja Católica, empresários e, principalmente, a OEA (Organização dos Estados Americanos).

Durante visita a Tegucigalpa ontem, os seis deputados brasileiros obtiveram do presidente do Congresso hondurenho, José Alfredo Saavedra, a promessa de intermediar com Micheletti a suspensão do ultimato de dez dias dado no domingo para que o Brasil defina o “status’’ de Zelaya, abrigado há 12 dias na embaixada do país. O regime quer que o Brasil dê asilo a Zelaya ou o entregue à Justiça para que ele responda às acusações que pesam sobre ele por insistir em promover uma consulta popular sobre a realização de uma Assembléia Constituinte mesmo após ela ter sido considerada ilegal pela Justiça e pelo Congresso hondurenhos.

O prazo para a definição termina na terça-feira, quando a representação brasileira seria considerada um “escritório diplomático” por Micheletti.

“Nós saímos agora da Assembléia Nacional, o presidente (Saavedra) nos garantiu que eles discutirão na segunda-feira a ampliação do prazo que foi dado em relação ao caráter da estadia de Zelaya”, disse a deputada petista Janete Pietá (SP), ao entrar na embaixada brasileira, onde os seis parlamentares se reuniram a portas fechadas com Zelaya.

Mas a grande aposta do presidente deposto é com relação à vinda da comitiva de alto nível da OEA, na próxima quarta-feira, quando o secretário-geral da entidade, José Miguel Insulza, virá acompanhado de chanceleres da região.

Na embaixada, Zelaya e assessores saíram bastante otimistas da reunião de ontem à noite com o enviado de Insulza, o também chileno John Biehl. Existe até a esperança de que o impasse seja resolvido na semana que vem.

Parte da pressão para que a crise seja solucionada vem dos empresários, cuja maioria apoiou abertamente o golpe. Nos últimos dias, um grupo significativo passou a pressionar Micheletti por uma solução.

Vários empresários têm demonstrado preocupação com recentes revogações de visto pela Embaixada dos EUA em Tegucigalpa. Com isso, não podem viajar ao principal parceiro comercial de Honduras e destino de boa parte dos investimentos da elite do país.

Já a Igreja Católica tem defendido o estabelecimento de uma mesa de diálogo para que se chegue a um novo acordo após o fracasso do plano defendido pelo mediador da crise, o costa-riquenho Óscar Arias.

“Há um pouquinho menos de emoção e um pouquinho mais de racionalidade”, afirmou Biehl hoje, ao jornal chileno “El Mercúrio”.

Micheletti também foi acuado no Congresso, onde o Partido Nacional, a segunda maior bancada, retirou o apoio ao decreto de estado de sítio, forçando Micheletti a dizer que a medida, que embasou o fechamento de dois meios de comunicação pró-Zelaya, será revogada.

Em sinal de que se sente pressionado, Micheletti disse ontem que, se houver um consenso no país de que ele deve deixar o cargo, ele o fará. Zelaya também flexibilizou seu discurso e disse ao jornal uruguaio “El Observador’’ que aceita responder à Justiça se for reempossado, embora tenha frisado que é inocente e que jamais buscou a reeleição, proibida pela Constituição hondurenha.

Durante os encontros, os brasileiros pediram que Honduras respeite a embaixada do Brasil, um tema que preocupa o governo brasileiro e a comunidade internacional, apesar das reiteradas declarações do governo interino de que não violará de forma alguma a sede diplomática.

“Esta é uma missão do Congresso que traz ao povo de Honduras uma mensagem do povo brasileiro de que estamos felizes com o avanço no processo de negociação. A saída deve ser pacífica”, disse à imprensa Raul Jugmman, do Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Jugmann destacou que foi informado de que Zelaya e o presidente interino, Roberto Micheletti, “estão conversando através de interlocutores’’ em torno do Acordo de San José, a proposta do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, para solucionar a crise e que inclui a restituição de Zelaya sob um governo de coalizão.

Ele afirmou ainda que a missão dos parlamentares é de “paz” e que espera poder contribuir para que, ao final, haja uma saída pacífica à crise. “Nossa preocupação, em princípio, é com a embaixada e as relações da comunidade brasileira em Honduras’’, disse Jugmann, acrescentando que “a preocupação mais geral é que Honduras possa superar a crise pacificamente, rapidamente’’.

Os congressistas visitarão ainda ontem a embaixada do Brasil, para verificar a situação no local e conversar com o pessoal diplomático, revelou Jugmman. A delegação brasileira se reunirá ainda com o Congresso, partidos políticos e a Igreja Católica.

A missão inclui ainda Mauricio Rands, Bruno Araújo, Cláudio Cajado, Ivan Valente e Janete Pietá.

O deputado Valente, do PSOL, destacou que o Congresso brasileiro espera que haja uma “solução política” antes do fim do prazo de dez dias dado pelo governo interino para que o Brasil defina o status de Zelaya na embaixada.

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ONU aprova texto contra abuso golpista

Genebra - O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou ontem por unanimidade em Genebra uma resolução que “condena fortemente as violações ocorridas em Honduras desde o golpe de Estado” e pede o fim imediato dos abusos.

O texto foi proposto pelo Brasil com o apoio do Grupo de Países Latino-Americanos e do Caribe - inclusive Honduras, cujo governo deposto foi representado pela chanceler Patricia Rodas por meio do embaixador da Nicarágua. O representante do governo golpista foi retirado do conselho há três semanas e deve ter a credencial cancelada.

A aprovação é um trunfo da diplomacia brasileira, que costurou o consenso inclusive com os EUA. No início da semana, após aparentes atritos com a diplomacia brasileira sobre o tema na sede da ONU em Nova York, representantes do Departamento de Estado americano em Genebra haviam se distanciado da resolução, dizendo que esperariam a versão final para endossar. Para a embaixadora brasileira na ONU, Maria Nazareth Azevedo, a aprovação traz um avanço para que o conselho, normalmente reativo, assuma um papel mais ativo, fazendo “chamados políticos”

O conselho, que tem 47 membros e base em Genebra, também pediu a restituição do presidente Zelaya. O pedido ecoa o tom do documento apresentado pelos países americanos que faz um chamado a todos os atores e instituições para que freiem a violência e respeitem os direitos humanos e as liberdades fundamentais, assim como pela restauração da democracia em Honduras.

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