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Greve dos bancários já atinge comércio

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Em seu décimo dia, a greve dos bancários de Bauru já está provocando transtornos e alguns prejuízos aos comerciantes. Com as agências fechadas, muitas pessoas - principalmente aquelas com dinheiro no bolso - deixam de circular pelas ruas centrais e, conseqüentemente, de consumir nos estabelecimentos.

Um dos setores que mais sentiram os efeitos da paralisação das atividades nos bancos foi o de alimentação. Conforme lembra o comerciante Francisco Bernardis, o Kiko, proprietário de uma pastelaria instalada no Calçadão da Batista de Carvalho, os correntistas que vão até o Centro para efetuar transações bancárias sempre acabam dando “uma passadinha” em alguma lanchonete para fazer uma refeição rápida ou em outras lojas para ver as novidades.

Com as agências paralisadas, esse volume de potenciais clientes simplesmente desapareceu, aponta. “A greve refletiu negativamente no comércio, principalmente nos estabelecimentos que comercializam produtos mais baratos, que não dependem de planejamento no orçamento para serem adquiridos”, comenta ele, que também reclama da dificuldade em obter moedas e cédulas de menor valor para dar como troco aos freqüentadores da pastelaria.

Proprietário de um posto de combustíveis, Cleiton Dias também afirma que a greve dos bancários está impedindo o pagamento de fornecedores através de boletos nos caixas eletrônicos, nos casos em que os valores ultrapassam o limite permitido para transações sem o intermédio de um atendente.

A solução seria quitar débito pela Internet, no site de instituições financeiras, mas Dias diz que nem todo comerciante dispõe do serviço.

“A maioria está optando em negociar com o as companhias o adiamento do vencimento do boleto. Está atrapalhando nosso trabalho e, por isso, esperamos que a greve acabe logo”, frisa. No entanto, para a insatisfação dos comerciantes e também dos bancários, o movimento irá continuar em Bauru e em todo o Brasil.

Após exaustivas discussões que se estenderam por quinta-feira e sexta-feira passadas, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) não chegaram a um acordo.

Por esse motivo, em uma assembléia realizada na tarde de ontem, os trabalhadores de Bauru decidiram continuar com os braços cruzados.

“A Fenaban não apresentou nenhuma proposta, alegando que não há como atender nossa reivindicação de participação nos lucros e disseram que irão levar a discussão dos últimos dois dias aos banqueiros para depois retomar o diálogo”, explica Paulo Tonon, diretor do sindicato da categoria em Bauru, filiado à Conlutas.

Segundo a Fenaban, não há ainda uma data agendada para a nova rodada de negociações.

Segundo balanço divulgado pelo sindicato local da categoria, o nono dia de greve foi encerrado ontem com 71,4% das agências fechadas na cidade e com 84,5% dos funcionários parados.

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