Cultura

Museus sofrem sem acervos digitalizados

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Moderno talvez não seja um verbete do dicionário dos museus para aqueles que relacionam esses espaços a destino de coisas velhas e empoeiradas. Modernizar-se, tornar-se atrativo e, sobretudo, interativo é a principal luta atual dos locais dedicados à preservação da memória.

Presente em Bauru na última semana, para a realização de uma oficina de museologia, Albino Oliveira, da Fundação Joaquim Nabuco, de Recife (PE), afirmou que somente a modernização é capaz de criar a identificação necessária entre museus e população.

“Pesquisas apontam que 80% das pessoas nunca foram a um museu. É preciso que o público se reconheça nesses espaços. A população passará a se apropriar dos museus quando começar a enxergá-los como aparelhos que fazem parte da sua vida”, considera. “Isso vai acontecer a partir da modernização, com a aplicação de novos discursos e novos formatos de exposição”, completa.

É justamente o que se faz necessário aos três museus da cidade - Museu Ferroviário Regional, Museu Histórico Municipal e Centro de Memória Regional - além, ou melhor, especialmente ao Museu da Imagem e do Som (MIS), que ainda está em fase de montagem. Mais do que reunir, o principal desafio do espaço será colocar à disposição do público os milhares de filmes, vinis e fotografias, que hoje se encontram empilhados pelas cerca de dez salas do prédio da antiga Estação da Paulista.

Foram essas as questões que nortearam a oficina, que reuniu, principalmente, funcionários e profissionais locais ligados ao setor, com o propósito de discutir a realização de projetos para captação de recursos na área. Realizado ao longo de três dias, o encontro definiu como prioridade e primeiro passo para o processo de modernização a digitalização do acervo dos espaços municipais. Como resultado, foi elaborado um projeto que visa, via Secretaria Municipal de Cultura (SMC), a criação de um núcleo responsável pela questão. “Todos os participantes responderam a um questionário para enumerarmos as principais necessidades de cada museu e, em todos, chegou-se a conclusão de que a digitalização dos documentos era primordial”, explica Oliveira.

“Queremos que as informações contidas nos museus tornem-se o mais disponível possível. E a digitalização será muito importante para isso”, concorda Jair Aceituno, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural da SMC. Entre os participantes da oficina, Sérgio Losnak, presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac), afirmou que muitos materiais, como jornais e documentos, quase já não podem ser manuseados.

“Alguns já estão se perdendo”, comenta. “O curso foi bem prático e importante, porque nos deu caminhos para ir em busca de verba para sanar essa deficiência”, completa Losnak.

“Nossos museus têm um belo acervo. O que falta são recursos para investimento. E não apenas a Cultura, mas toda essa administração está voltada para a elaboração de projetos para captação de recursos”, afirma Aceituno.

De acordo com o palestrante, muitos profissionais ficam perdidos na hora de correr atrás de verba e acabam perdendo grandes oportunidades, que, para ele, foram ampliadas na área, nos últimos anos. “Hoje, contamos com uma política nacional de museus e eles estão no foco das atenções no Ministério da Cultura (MinC). A criação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibran), neste ano, veio confirmar a tendência da área estar ganhando mais atenção por parte das autoridades”, finaliza.

Comentários

Comentários