Embora o governo estadual tenha isentado os frigoríficos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) desde o dia 1 de setembro, o preço da carne bovina subiu nos últimos meses. Em Bauru, o valor de alguns cortes chegou a aumentar até 14% na comparação entre outubro e agosto.
O aumento foi mais acentuado nos cortes dianteiros, conhecidos popularmente como carnes de segunda como acém, fraldinha, paleta, costela e patinho. O acém, por exemplo, comercializado no varejo a R$ 5,90 em agosto, custa agora R$ 6,70 o quilo, o que representa um aumento de quase 14%.
As carnes mais nobres, como o filé mignon, também tiveram alta de preços. Vendido a R$ 17,90 em agosto, o corte chega a custar R$ 19,90 em alguns supermercados. A picanha, preferida pelos consumidores na hora de fazer um churrasco, subiu, em média, 11,8%. Comercializada a R$ 16,90, já sai por R$ 18,90.
Para Pedro Baptista, gerente de compras de uma rede supermercadista da cidade, a alteração dos preços tem dois grandes motivos. O primeiro é a retomada das exportações pelos pecuaristas brasileiros. “O Brasil está exportando novamente depois da crise. O mercado europeu e o asiático voltaram a comprar e, por isso, as carnes tiveram que reposicionar seus preços”, explica.
O segundo seria a queda na oferta de bois confinados na entressafra da pecuária, que acontece de junho a outubro. “Na entressafra, o que equilibra a produção do boi é o boi confinado. E ele acabou e ainda não tem pasto suficiente para começar a venda com o gado de pasto”, diz.
Jair Barbosa de Lima, sócio-proprietário de outra loja do ramo, aponta também o fato dos frigoríficos paulistas importarem gado de outros Estados brasileiros. “Não tem boi no Estado. Os frigoríficos têm que trazer carne de Goiás, do Mato Grosso e isso aumenta o valor porque tem o custo do diesel e do frete, que estão caros”, comenta. Ele explica também que o aumento maior nos cortes de segunda se deve ao fato dos frigoríficos repassarem o aumento primeiramente para as carnes de maior consumo.
O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Estado de São Paulo (SindFrio), Edivar Vilela de Queiroz, em entrevista recente à Agência Estado apontou também a importação da carne como motivo para o aumento. “O Estado de São Paulo é um grande importador de carne bovina. Enquanto as empresas pagam ICMS na compra, não obtêm o crédito na venda no mercado interno, de maneira que tudo continua como estava neste aspecto”, diz. Para ele, seria necessária uma isenção em nível nacional para que a intenção dê resultados que influenciem os preços ao consumidor.
Diante do aumento, a população sempre encontra uma saída para não deixar faltar carne bovina na mesa. “A gente está acostumada com carne. Então, não deixamos de comprar. O que faço é comprar menos quantidade e aproveitar as ofertas”, conta Anna Maria Vannuci Tauil, comerciante aposentada.
O empresário Luis Henrique de Flora Lamoni, que sempre faz um churrasco no final de semana com o pessoal do futebol, acredita que o melhor é pesquisar os preços. “A gente compra picanha todo sábado, então a gente pesquisa o preço e compra nas promoções”, relata.
Aumento relativo
Pedro Baptista, o gerente de compras de uma rede supermercadista de Bauru, reconhece que houve um aumento de preços nos últimos três meses, mas faz questão de relativizar a questão. “Se você fizer a mesma medição entre esse ano e o ano passado vai perceber que a carne está de 10% a 15% mais barata”, pondera.
Segundo ele, em outubro de 2008 uma carne de segunda custava, em média, R$ 7,80 e agora é comercializada por R$ 6,80. O mesmo aconteceu com os cortes de primeira, como a alcatra que era vendida por R$9,90 e agora custa, em média, R$ 8,90.
Segundo reportagem publicada no JC em janeiro, o preço da carne estava baixo no início do ano devido ao período de safra do boi gordo, que começa em janeiro e vai até abril, quando há o crescimento da oferta do produto no mercado. Além disso, a crise econômica mundial teria reduzido as exportações de carne brasileira.
Baptista salienta que a maior parte da redução do preço da carne ainda não foi reposta mesmo com o recente aumento. “Se ele (o consumidor) medir o que subiu a carne em relação ao ano passado e o dissídio que ele teve no salário, vai perceber que ainda está pondo dinheiro no bolso”, finaliza.