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Homem fica mais na empresa que mulher

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Os homens passam cerca de três horas a mais por semana dentro da empresa do que as mulheres. Esse é o resultado de uma pesquisa feita pela consultoria de recursos humanos Catho. Com base nas informações fornecidas por mais de 16.000 pessoas, entre os meses de março e abril deste ano, o levantamento concluiu que os homens permanecem 47,2 horas na empresa, enquanto as mulheres ficam 44 horas.

A diferença em favor dos homens é observada em todos os cargos analisados pela pesquisa. Entre os trainnees, por exemplo, os homens trabalham cerca de duas horas a mais do que as mulheres. Entre os professores universitários, a diferença é de quase cinco horas, segundo a pesquisa. Mas o que mais chama a atenção é o cargo de vice-presidente. Enquanto a carga horária dos homens chega a 52,5 horas, a das mulheres fica na casa das 43,3 horas, ou seja, mais de nove horas de diferença.

A pesquisa revelou ainda que, quanto maior o nível hierárquico do profissional, maior o número de horas trabalhadas. Neste caso tanto faz se é mulher ou homem. Ambos trabalham mais que seus semelhantes que ocupam cargos inferiores.

Outra conclusão é que quanto maior o faturamento da empresa, maior é número de horas trabalhadas por seus funcionários, especialmente aqueles que ocupam cargos de chefia. Enquanto o diretor de uma empresa cujo faturamento é menor do que US$ 15 milhões por ano permanece no escritório cerca de 50,7 horas, em uma empresa de faturamento acima dos US$ 100 milhões o tempo sobe para 53,1 horas. Para Adriano Meirinho, diretor de marketing da Catho Online, isso pode ser explicado pela alta competitividade existente dentro dessas organizações.

Na avaliação de Maria Antonia Vieira Soares, doutora em sociologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), é preciso ponderar bem esses resultados para não reforçar o esteriótipo machista, do homem como cabeça da família, que trabalha mais que a mulher.

Segundo ela, a pesquisa retrata apenas o trabalho formal, que ocorre dentro de uma empresa, sem levar em consideração o que acontece fora dali, no trabalho informal, onde, muitas vezes, a mulher tem tripla jornada de trabalho.

“É preciso levar em consideração que a mulher não trabalha somente na empresa. Ela tem também de cuidar da casa e dos filhos, enfim, tem múltiplos compromissos fora da empresa. E dela é sempre exigido mais do que do homem”, observa.

Uma outra explicação possível para essa dedicação maior por parte do homem dentro da empresa em que trabalha pode ter razões sócio-histórica. O conceito, ainda muito forte na sociedade, de que o homem é o responsável pelo sustento da casa pode provocar na ala masculina um medo maior de perder o emprego. Por isso, eles se sujeitam mais do que as mulheres a permanecerem mais tempo na empresa.

“Dependendo do nível de escolaridade, essa pressão pode pesar muito na consciência do homem”, avalia a socióloga. “Ele se sente realmente o responsável pela família. E como nós vemos hoje que o desemprego é um risco sempre presente, o homem se sujeita a longas jornadas.”

Para Maria Antonia, a mulher, em sua maioria, também não faz o mesmo porque tem sobre ela outras pressões. “Da mesma forma que o homem está preocupado com o sustento da família, ela se preocupa em cuidar dos filhos, em deixar a casa em ordem e preparar o alimento, entre outras atividades tão importantes quanto as do mundo do trabalho formal.”

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‘É normal eu levar serviço para casa’

Para o diretor-executivo do Instituto Soma em Bauru, André Moraes, não existe sábado, domingo, nem feriado. Todo dia é dia de trabalho. Segundo ele, levar serviço para casa tornou-se uma coisa normal.

Isso tudo pode parecer um sacrifício tremendo, mas não é bem assim. Para o diretor, quando se está empolgado com o trabalho, ficar além do horário e levar serviço para casa não é nenhum peso. “Não acho que compromete a qualidade de vida. Quando quero descansar, eu paro”, diz.

Segundo André, essa empolgação, muitas vezes, faz com que as pessoas fiquem mais tempo envolvidas com seu trabalho. O problema surge quando elas direcionam todas as energias e atenção para o trabalho. Quando isso acontece, os momentos de lazer e a prática de esportes, por exemplo, são relegadas ao segundo plano. E isso vai comprometendo a saúde do organismo.

Ele conta que isso acontece com ele de vez em quando. Além disso, tem a esposa e o filho que precisam da atenção dele. Na opinião dele, as mulheres trabalham tanto quanto os homens.

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‘Em casa, não paro um minuto’

Para a bancária Mara Regina Dias Augusto, se for somar todas as horas que ela trabalha em casa, mais a carga horária que cumpre no banco, ela garante que trabalha muito mais que o marido engenheiro. “Quando estou em casa, não paro um minuto”, afirma. Já o marido, segundo ela, aproveita que está em casa para assistir à TV e ler jornal, por exemplo.

Mara diz que, geralmente, toda a responsabilidade do serviço doméstico recai sobre a mulher. “O homem quando chega em casa, a comida está pronta, a roupa está lavada e passada.” Além disso, quando existem filhos, a palavra “mãe” é a mais pronunciada dentro de casa, diz ela.

A bancária conta que tem dois filhos e, normalmente, é ela quem leva-os para a escola e para os cursos. “É o tempo todo nesse serviço de leva-e-traz”, relata.

Mara revela que optou por um serviço no banco que tem hora para entrar e para sair. Com isso, ela pode se programar melhor e dar conta dos afazeres domésticos e de cuidar dos filhos. Afinal de contas, a jornada das mulheres não termina quando ela deixa a empresa.

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