Internacional

Irã ameaça ‘punir’ EUA e Reino Unido por ataque; debate nuclear começa

Folhapress
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Teerã - Um dia após ataques terroristas que mataram seis de seus comandantes, a Guarda Revolucionária do Irã, mais poderosa força militar do país, afirmou que irá retaliar EUA e Reino Unido, que foram acusados juntamente com o Paquistão de apoio aos radicais responsabilizados pelo massacre.

O balanço de mortos chegou ontem a 42 pessoas, depois de várias horas de relatos conflitantes. Os atentados, os mais mortíferos em duas décadas no Irã, ocorreram na manhã de anteontem, durante reunião de comandantes da guarda com líderes tribais da Província de Sistão e Baluquistão, perto da fronteira com o Paquistão.

As ameaças foram corroboradas pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. “Os mercenários da arrogância global devem saber que o sistema islâmico vai proteger (...) seu povo leal e punirá aqueles que violarem suas vidas e segurança”, afirmou.

O Irã em geral alude aos EUA quando usa o termo “arrogância global”.

Já o presidente Mahmoud Ahmadinejad disse que os problemas atuais do Oriente Médio têm como raiz a presença estrangeira na região.

O grupo radical sunita Jundollah (“Soldados de Deus”) confirmou ontem sua responsabilidade no episódio em um site islâmico. O grupo é formado por membros da etnia baluqui que lutam por autonomia e direitos dos sunitas no Irã, país majoritariamente xiita. Washington, Londres e Islamabad negaram qualquer relação com o Jundollah ou com os atentados e condenaram veementemente os ataques. Mas o líder da Guarda Revolucionária, Ali Jafari, disse ter documentos indicando “laços diretos’’ entre o Jundollah e as inteligências americana, britânica.

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Pacto nuclear

Viena - O primeiro dia de negociações em Viena sobre um acordo nuclear entre Teerã e o grupo formado por EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha terminou ontem indefinido, mas com declarações otimistas de Mohamed El Baradei, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

“Começamos bem. A maior parte das questões técnicas foram discutidas”, disse ele.

A afirmação contrastava com sinais iniciais de que o Irã poderá jogar por terra esperanças de um acordo realmente impactante com as potências.

O objetivo do grupo dos seis é fazer com que o Irã envie seu urânio para ser enriquecido no exterior -possivelmente na Rússia ou na França - em níveis baixos, para uso apenas energético.

Mas as potências tiveram uma primeira decepção quando os iranianos enviaram apenas seu embaixador na AIEA para as conversas, em vez de um representante de alto nível. E acusações por parte do Irã de que Washington e Londres estão envolvidos em ataques no país aumentaram as incertezas.

As negociações serão retomadas hoje. Se fracassarem, crescem as chances de novas sanções contra o Irã.

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