Bairros

‘Blindagem’ de áreas nobres vira obstáculo para pesquisa do IBGE

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Percorrer todos os cantos da “cidade sem limites” ou ziguezaguear por estradas de chão batido para chegar até moradores dos mais isolados rincões da zona rural, apesar de tarefas dispendiosas, não são a principal “barreira” que agentes pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrentam para atualizar importantes dados demográficos, econômicos e sociais.

Engajados atualmente na versão 2009 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), pesquisa feita anualmente – exceto nos anos em que o instituto atualiza o Censo, como ocorrerá em 2010 – os agentes do IBGE testemunham que, receosos pela segurança, muitos moradores não recebem os pesquisadores, o que prejudica a compilação dos dados estatísticos.

“Fazemos a ‘entrevista’ com o endereço, não com o morador. Caso a gente não consiga entrevista numa residência, não podemos tentar na casa vizinha”, explica César Augusto Silva Rodrigues, agente de pesquisas e mapeamento da agência regional do instituto em Bauru.

Segundo ele, os agentes recebem uma lista de endereços pré-estabelecida e não podem substituí-los caso moradores da casa escolhida não os acolham.

“Tem casas em que os empregados não permitem acesso aos patrões. O não atendimento aos agentes, prejudica o equilíbrio da pesquisa”, lamenta o agente do IBGE em Bauru, que, apesar das dificuldades, compreende alguns casos em que os pesquisadores dão com a “cara na porta”, pela sensação de insegurança sentida por residentes de áreas nobres. “Ocorre por uma questão de segurança, existe um certo medo”, ecoa Matilde Tabanez dos Santos Pereira, chefe da agência local do IBGE.

Para abrir portas e conquistar os moradores e, consequentemente, compilar a maior quantidade de informações, totalmente sigilosas e anônimas, possível, os pesquisadores, assegura Matilde, são devidamente identificados com crachás e utilizam computadores portáteis para as entrevistas. “Na zona rural, também somos identificados por viaturas personalizadas”, acentua.

Retrato

Realizada há 42 anos, a PNAD é a principal pesquisa anual na área econômico-social do País. Além dos temas habituais, sobre condições de moradia, trabalho e educação, os entrevistadores, a cada ano, recebem instruções para levantamentos complementares.

Em 2009, justamente, a questão da segurança é evidenciada pela pesquisa, detalha o agente do escritório regional do instituto, que também ouvirá, até a primeira quinzena de dezembro, moradores de municípios vizinhos (Agudos, Pirajuí, Lençóis Paulista e Balbinos). “São feitas perguntas se a pessoa se sente segura na casa, se já foi vítima de furto ou violência e se utiliza algum mecanismo de proteção”, exemplifica.

Em Bauru, serão visitadas, aproximadamente, 160 moradias, divididas em 8 setores da cidade e zona rural, abrangendo todas as classes sociais, que terão os dados jogados no sistema, reiteram os representantes do IBGE, sem qualquer tipo de identificação do entrevistado.

Como garantia de que as informações não serão utilizadas para efeitos fiscais ou ações legais, eles citam a Lei Federal 5.534, de 14/11/1968, que permite o levantamento de dados meramente para fins estatísticos.

O acolhimento dos moradores também é incentivado por material promocional, distribuído pelos agentes durante as abordagens. No folheto, Eduardo Pereira Nunes, presidente do IBGE, incentiva os habitantes a responder o importante questionário : “receba bem o pesquisador e colabore para que o IBGE possa mostrar o Brasil como ele realmente é”.

• Serviço

Mais informações sobre a pesquisa, bem como certificação sobre a identificação de agentes pesquisadores credenciados pelos telefones (14) 3214-1779 ou 0800-721-8181. O levantamento também é explicado no site: www.ibge.gov.br.

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