Internacional

Presença de eleitores e indefinição são marcas das eleições no Uruguai


| Tempo de leitura: 3 min

Montevidéu - O Uruguai teve ontem um dia de eleição presidencial com poucos incidentes, grande entusiasmo popular - o índice de votação rondava os 90% do eleitorado uma hora e meia antes do encerramento da votação - e um permanente suspense sobre o resultado, que não era conhecido até ontem à noite.

As últimas pesquisas de opinião divulgadas anteriormente à votação apontavam que haveria segundo turno entre o candidato pela coalizão governista Frente Ampla (esquerda), José Mujica, e o do opositor Partido Nacional, Luis Alberto Lacalle.

No entanto, no fim da tarde de ontem e antes do encerramento da votação, que ocorreu às 19h30, as duas siglas divulgavam dados diferentes, a partir de bocas de urna próprias.

A Frente Ampla fez circular a informação de que Mujica havia obtido a vitória em primeiro turno. Em 2005, na eleição que deu a Presidência pela primeira vez ao partido, Tabaré Vázquez venceu por uma diferença de 9.000 votos.

O Partido Nacional (centro-direita), por sua vez, informava que sua boca de urna apontava segundo turno entre Mujica e seu candidato, com as seguintes margens: 44% para Mujica, 32% para Lacalle e 16% para o terceiro candidato, Pedro Bordaberry (Partido Colorado).

Mujica foi o primeiro dos três a votar, logo que se abriram as urnas. Em seguida, o socialista e ex-guerrilheiro tupamaro, preso durante a ditadura uruguaia (1973-1985), acompanhou a mulher, Lucía Topolansky, em sua votação, e ambos voltaram para sua chácara.

Mujica disse que planejava aguardar o encerramento das votações trabalhando no local, que fica nos arredores da capital. “Votei muito cedo, como todo velho”, disse o governista, 74 anos. Durante o dia, subiu num trator e trabalhou na horta.

O atual presidente classificou como “excepcional” o andamento da campanha e da votação e elogiou a convivência pacífica dos militantes. Vázquez evitou comentar o anúncio feito na sexta-feira por um banco estrangeiro de que se retiraria do país.

Durante a campanha, Lacalle afirmou que uma eventual eleição de Mujica iria desestabilizar a economia uruguaia, já que ele se filia à “esquerda radical”.

O vice na chapa da Frente Ampla, o economista Danilo Astori, invocou o modelo de Lula “de garantia do equilíbrio macroeconômico com aprofundamento da justiça social” como diretriz de um eventual governo da chapa. Lacalle votou às 17h.

O candidato colorado, Pedro Bordaberry, que teria tido expressivo crescimento nos últimos dias, segundo as bocas de urna oficiosas, votou pela manhã e manteve o perfil de toda a campanha - distanciar-se dos conflitos e centrar o discurso na discussão de seu extenso programa de governo.

O Partido Colorado - fundado há 173 anos, assim como o Partido Nacional - foi o que mais tempo esteve à frente do governo no Uruguai. Porém, nas eleições de 2004, que deram a vitoria pela primeira vez na história à Frente Ampla, fundada em 1971, o percentual de votos dos colorados caiu a menos de 10%. A debacle se deu por conta da crise econômica de 2002, que atingiu o Uruguai com os colorados no poder.

Antes de depositar o voto, disse: “Desejo muito boa sorte ao senador Mujica e ao doutor Lacalle, porque, da sorte deles, depende a sorte de todo o país”. Bordaberry anunciou que, num eventual segundo turno, divulgará o nome do candidato que terá o seu apoio, mas não tomará parte na campanha.

Comentários

Comentários