Política

Carlão quer implantar reuso da água da chuva

Monise Centurion
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Em sua estréia na apresentação de projetos no Legislativo de Bauru, o vereador Carlão do Gás (PR) propôs, nesta semana, a criação de sistema de reuso de água da chuva no município para utilização não potável em condomínios, clubes, entidades, conjuntos habitacionais e demais imóveis residenciais, industriais e comerciais. A proposta já conta com a simpatia de ambientalistas, entre eles, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).

Além disso, poderá ser uma alternativa para minimizar os efeitos da cobrança pelo uso da água na região do Tietê-Batalha, a partir de 2010. “Fiz uma pesquisa ampla nos projetos que já existem, como na Austrália, no Nordeste brasileiro até mesmo no Estado de São Paulo. A idéia é para ser implantada nas novas construções, mas vamos tentar incentivar isso nas demais também. A água é uma preocupação mundial”, afirma o parlamentar.

O sistema consiste na instalação de reservatórios para captação e utilização de águas pluviais para uso não potável como forma de reduzir o consumo da rede pública e o alto custo de seu fornecimento, evitar a utilização da água potável onde não é necessária, despertar o sentido ecológico e financeiro com a finalidade de não desperdiçar o mais importante recurso natural do planeta, ajudar a conter as enchentes, represando parte da água que teria de ser drenada para galeria e rios, e encorajar a conservação da água, a auto-suficiência e uma postura ativa perante aos problemas ambientais do município.

“A água da chuva pode ser usada na descarga de sanitários, irrigação de jardins, lavagens de veículos, calçadas e de peças, limpeza de paredes e pisos, e se colocar um filtro ainda dá para ser utilizada até mesmo para o consumo. Por meio de rufos, a água é captada, segue por canos até uma cisterna coberta e protegida. Através de um sistema de bombeamento, o morador ou empresário terá água à sua disposição e poderá usá-la, posteriormente”, diz.

Para o vereador Francisco Carlos de Góes, o excesso de água contida no reservatório deverá preferencialmente infiltrar-se no solo, podendo ser despejada na rede pública de drenagem ou ser conduzida para outro reservatório para ser utilizada para finalidades não potáveis. De acordo com o projeto, o poder público municipal incentivará o sistema de cisternas, disponibilizando os serviços técnicos e operacionais do Departamento de Água e Esgoto (DAE). “A prefeitura irá contribuir para a adoção dessa prática por meio de incentivos fiscais”, afirma Carlão.

Se aprovada, a lei terá terá de ser regulamentada em 60 dias pelo Executivo. O presidente da organização não-governamental (ONG) Fórum Pró-Batalha, Ivan De Marche, diz que iniciativas como esta causam impacto positivo para o uso racional da água potável que, segundo ele, é usada para tudo nos dias atuais. “Temos em Bauru alguns projetos isolados de condomínios e até mesmo de algumas empresas, que adotam o sistema de captação de água de chuva. O próprio DAE instalou duas cisternas para essa finalidade. Essa estrutura demanda a inserção de caixas de água nas novas construções. A água de chuva poderia ser utilizada para todas as atividades dentro de uma casa, menos para cozinhar. A questão é que tem de haver investimento na estrutura do imóvel.”

Cobrança da água

Os integrantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Tietê Batalha (CBH-TB) referendaram em agosto os índices de cobrança pelo uso da água na região do Tietê-Batalha. Os índices aprovados, e que serão cobrados das empresas de captação após sanção do governador José Serra (PSDB), ficaram da seguinte forma: R$ 0,01 para cada metro cúbico de água retirada do rio, R$ 0,02 para cada metro cúbico de água consumida e R$ 0,09 para cada quilo em DBO (demanda química de oxigênio) de esgoto lançado.

“O DAE está estudando o impacto tarifário que isso terá para Bauru. Sempre tem um impacto”, afirma o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Na prática, o município que captar e consumir mais água, pagará mais. O mesmo deve ocorrer com relação ao esgoto. Quem tratar menos o esgoto gerado, paga mais.

Estimativas dão conta que o DAE deve desembolsar cerca de R$ 1,3 milhão/ano para pagar a nova taxa ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Tietê-Jacaré (CBH-TJ). Isso representa cerca de R$ 10 por ano a ser cobrado de cada consumidor. Os outros R$ 400 mil/ano são o que deve ser arrecadados para o Comitê da Bacia Hidrográfica do Tietê Batalha (CBH-TB), porque Bauru faz parte de ambas as bacias.

Agostinho afirma ainda que algumas regiões de Bauru lançam esgotos no rio Batalha ou afluentes, por isso deve pagar a nova taxa para as duas Bacias Hidrográficas. A maior parte do esgoto gerado em Bauru, cerca de 90% segundo o prefeito, vai para Bacia hidrográfica Tietê-Jacaré. O esgoto no rio Batalha é lançado na região de Tibiriçá e na região norte da cidade (região dos bairros Posada 1 e 2 , Vila São Paulo, Vanuire, Jardim Helena).

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