Economia & Negócios

BTC ainda negocia preço para sede

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Palco de luxuosos bailes e celeiro para grandes esportistas, a sede social do Bauru Tênis Clube (BTC), localizada na quadra 12 da rua Gustavo Maciel, no Centro da cidade, deverá ser vendida nos próximos dias. Conforme o JC divulgou ontem com exclusividade, as negociações estão bastante adiantadas com um grupo empresarial local, mas há outros empresários também interessados em adquirir o prédio. Fala-se num valor próximo a R$ 5,5 milhões, mas que poderá ser outro ao final da negociação.

Na noite de anteontem, o Conselho Deliberativo do clube aprovou a venda da sede e agora aguarda o recebimento das propostas. A decisão do órgão é resultado de anos de discussões internas, principalmente porque os associados passaram a freqüentar quase exclusivamente as sedes de campo e náutica do BTC, o que tornou o famoso “Transatlântico de Luxo” ocioso e oneroso demais às finanças do clube.

Com a venda, o BTC irá obter recursos extras para investir em melhorias nas duas sedes restantes ou até adquirir um outro terreno ou prédio para ser utilizado em eventos sociais. Fundado em agosto de 1925, o clube da alta sociedade bauruense foi um dos principais espaços para reuniões e encontros festivos da cidade.

Mas, conforme os hábitos da sociedade foram se transformando, o número de associados diminuiu significativamente, fenômeno que se abate sobre diversos clubes.

“A situação financeira não ficou fácil e a sede social do BTC se transformou em um elefante branco”, resume uma fonte do JC, que preferiu manter o anonimato. Como a principal fonte de arrecadação no prédio da Gustavo acabou ficando por conta das festas e bailes de formatura, que ocorrem mais concentradamente no final do ano, as demissões e remanejamentos do quadro de funcionários acabaram sendo uma inevitável conseqüência da racionalização dos custos.

Segundo o que a reportagem conseguiu apurar, os funcionários com mais tempo de casa estão sendo realocados para a sede de campo do BTC, mas parte deles já está sendo ou será demitida para a contenção de gastos. Na última sexta-feira, por exemplo, foi a vez de um motorista, um funcionário da secretaria e um da assessoria de imprensa serem mandados embora.

Ainda conforme apurou o JC (a diretoria prefere não se manifestar por ora), os serviços prestados, como aulas de tênis, karatê, sinuca e xadrez já foram transferidos para a sede de campo há cerca de quatro meses. Já o local onde serão desenvolvidos os cursos de natação e pólo aquático ainda precisam ser definidos, bem como o destino dos serviços terceirizados.

De acordo com informações obtidas, apenas o setor administrativo - que inclui os departamentos financeiro, de compras, de informática e o caixa da secretaria - será mantido até que a sede seja completamente desativada.

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Escola de campeões

Para o jornalista e historiador Luciano Dias Pires, a desativação do “Transatlântico” representará uma lamentável perda para a história esportiva e social de Bauru. “Os grandes carnavais do passado, os bailes de debutante, os shows de grandes nomes da música foram eventos marcantes na cidade. Iremos sentir o encerramento das atividades da sede”, comenta.

Além das festas que ficaram na lembrança de quem viveu os tempos áureos de décadas passadas, o BTC se destacou também pelos títulos conquistados através do tênis. Pires lembra, por exemplo, da chamada Equipe da Primavera, comandada por José Stockl nos primeiros anos da década de 1940.

“Eram três meninos com cerca de 15 anos de idade: o Luiz Carlos de Barros César (bicampeão mundial universitário na Alemanha em 1953 e na Espanha em 1955), Roberto Cardoso (que integrou a equipe do Brasil na Copa Davis, na Europa, em 1953) e Caio Tasso Pinheiro Brisolla”, relembra.

Na categoria feminina, o tênis praticado no clube contou também com nomes que alcançaram projeção nacional, a exemplo de Clélia Teixeira, Nair Zulian Coimbra e Wilma Zulian Cardoso. A presença da mulher bauruense no esporte, no entanto, culminou com a inesquecível conquista de Cláudia Faillace, na Venezuela, em 1979, que sagrou-se campeã mundial na categoria infantil sob orientação de Cláudio Sacomandi.

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