Tribuna do Leitor

Resposta ao texto "mães pela educação"


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Lendo o texto sobre o apelo das mães a respeito da educação escolar no País, fui tecendo reflexões e concordei em um ponto: de fato, a Constituição Federal prescreve o ensino fundamental obrigatório objetivando a formação do cidadão, bem como o Estatuto da Criança e do Adolescente garante a participação dos pais no processo pedagógico. Assim como as mães, sou inteiramente desfavorável ao sistema de progressão continuada, compartilhando com cerca de 99% de meus colegas professores. No entanto, sou obrigada a discordar de algumas colocações. A sociedade deveria questionar processos de avaliação desde que tenha conhecimento do que isto seja. Eu lhes pergunto, mães: por quanto tempo sentaram-se num banco de uma faculdade para estudar sobre avaliação escolar de forma a dominar os conceitos e métodos básicos desta prática pedagógica? Só podemos discutir, debater e questionar sobre aquilo que temos conhecimento, e a sociedade desconhece estes conceitos.

A progressão continuada é a maior falácia do ensino. Os pais deveriam, além de acompanhar os estudos acadêmicos de seus filhos, sabendo se têm tarefas de casa, os dias de provas, os livros que lêem da biblioteca, comportamento inexistente por cerca de 80% dos pais que têm filhos em idade escolar, exigir do poder público a reversão deste sistema de progressão. Quem sabe nossos governantes não ouvem a sociedade, pois os profissionais da educação eles não atendem em momento algum. É sabido também que o artigo 206 da Constituição Federal, bem como o Estatuto dos Professores, entre outras resoluções, garantem aos docentes um piso salarial digno e o aumento correspondente aos índices econômicos, o que não acontece há anos. O artigo também prescreve o direito de professores exercerem seu trabalho em condições propícias, com materiais suficientes, fato que também deixa a desejar, pois salas de aulas ficam sujas porque não existem funcionários suficientes para a limpeza e muitos estudantes, por sua vez, rabiscam as carteiras, picam papéis e deixam-nos no chão, apontam lápis fora da lixeira, contribuindo com a sujeira dentro da escola.

Senhoras mães, há, sim, muitos alunos com problemas de aprendizagem. Primeiro porque muitos pais não encaminham seus filhos para um atendimento especializado, o qual não é função da escola. Em segundo, porque a política de atendimento escolar para estas crianças não transcende o papel. O governo não dispõe de profissionais para atender estas demandas. Em terceiro, alguns alunos não aprendem porque se distraem com aparelhos e objetos que não pertencem às atividades escolares, como celulares (proibidos em salas de aula pela Lei n° 12 730 de 2007), MP3, máquinas fotográficas, brinquedinhos entre outros. Onde estão os pais destes estudantes que não sabem o que seus filhos carregam para a escola?

A escola atual é o melhor local para uma criança e um jovem, pois somente nela eles podem encontrar conhecimento de qualidade e ela está, na pessoa dos professores, cumprindo com seu dever de ensinar. Se muitos não aprendem é porque falta-lhes disposição interna e interesse pessoal, bem como estímulo dos seus pais, governo e sociedade em geral. Quanto ao comportamento dos professores com relação aos alunos, quero colocar que também é direito do profissional público ser respeitado durante o exercício de sua função e o desacato a ele incorre em crime com detenção de seis meses a dois anos ou multa, expressamente citado no artigo 331 do Código Penal. Pergunto-lhes: quantos alunos agridem professores verbalmente, fisicamente, moralmente, impedindo até mesmo de eles desenvolverem bem suas aulas devido ao seu mau comportamento? A eles o crime não se evidencia, uma vez que são menores. Mas quem são os responsáveis por eles?

Diante do que li, percebo que as senhoras estão completamente equivocadas, revelando que desconhecem a realidade das salas de aula e as políticas públicas do Estado.

Solicito que leiam o texto do ex-secretário da educação estadual Gabriel Chalita, publicado neste jornal no dia 27 de outubro. Um país que não valoriza os professores e a educação está condenado à morte. Não há desenvolvimento, progresso, evolução.

Convido-as para freqüentarem uma sala de aula durante um mês e acompanhar o processo escolar, bem como a política educacional do nosso estado, uma das piores do mundo. Tenho certeza que se arrependeriam de muitas colocações escritas no texto, pois conheceriam a realidade que assombra a educação escolar. Minha indignação é extrema ao saber que a própria sociedade está aquém de compreender as mazelas educacionais e com isso, impossibilitada de lutar por melhorias. Só posso afirmar que assim vamos ficar do mesmo jeito...

Graziella Moura - professora

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