O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) disse ontem que exonerou de sua assessoria, em cargo de confiança ligado à Assembléia Legislativa (AL), o ex-superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Reinaldo Rocha. Na avaliação de Tobias, não “há nada contra ele, mas para sua própria proteção política e administrativa, para o bem da apuração em andamento em relação ao hospital é melhor que ele esteja afastado”.
Segundo Tobias, a exoneração será mantida até o final das apurações em curso na Procuradoria da República, Ministério Público Estadual e a conclusão do inquérito pela Polícia Federal. Denúncias de desvio de recursos, superfaturamento de serviços e cobrança por fora de procedimentos faturados via Sistema Único de Saúde (SUS) fazem parte da Operação Odontoma desencadeada pela Polícia Federal.
A operação investiga operações realizadas durante o período em que Reinaldo Rocha era superintendente da AHB, entidade que deixou no final do ano passado. Anteontem, em pronunciamento na Tribuna da AL, o deputado estadual disse que foi traído por amigos que ajudou na entidade, mas não fez referência ao assessor. “Ele está saindo da assessoria minha para que tudo seja apurado sem qualquer dificuldade, mas não tem nada contra ele. Não tenho nada contra o Reinaldo e acho que vai ser bom pra ele ficar distante para poder retornar depois que tudo estiver terminado”, reafirmou.
O ex-superintendente da AHB é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF). A Justiça não decretou a prisão de Rocha, mas expediu mandado de busca de apreensão em sua casa na semana passada. Entretanto, o MPF não conseguiu localizar seu endereço a tempo de evitar o conhecimento público do início da Operação Odontoma.
De acordo com o procurador da República, Fabrício Carrer, não havia mais tempo para a confirmação do endereço de Rocha. A operação teria de ser desencadeada o mais rápido possível. “A gente sabia que os documentos estavam em iminência de serem destruídos. Então tivemos que acelerar e apreender esses documentos”, contou.
Durante cumprimento a mandado de busca e apreensão nas repartições administrativas da AHB, foram recolhidos computadores e documentos contábeis da entidade para investigações das supostas fraudes na entidade. Foi na gestão de Rocha que ocorreram o empréstimo de R$ 16 milhões e o pagamento de supersalário de até R$ 35 mil mensais a Marcelo Saab, filho do presidente da AHB.
Os pedidos de prisão temporária dos suspeitos (Joseph Saab, presidente da associação há 14 anos; Marcelo Saab, dentista e filho do presidente; Vladmir Scarpp, superintendente e diretor financeiro; Samuel Fortunato, diretor técnico e responsável pelo setor de compras; Célio Parisi, conselheiro; e Maria Lúcia Lopes Saab, supervisora de serviço de apoio e cunhada de Saab), se deram em razão da necessidade de apreensão dos documentos, pois havia suspeita de que as provas poderiam ser ocultadas ou destruídas. Rocha não tem atendido ligações nos últimos dias nem retornado a recados deixados pela reportagem.