Os efeitos das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki sobre a geopolítica do século 20. As semelhanças entre a crise econômica atual e sua “antepassada”, de 1929. Os debates em torno da recente descoberta da camada de pré-sal. O aniversário de 200 anos do nascimento do naturalista britânico Charles Darwin. A queda do Muro de Berlim e a nova ordem mundial inaugurada com o fim da Guerra Fria. Para encerrar, algumas pitadas de sociologia e filosofia, além de uma boa dose de conceitos avançados e atuais.
Esses são alguns dos “ingredientes” que deverão temperar a época do ano mais esperada (e ao mesmo tempo mais temida) pelos estudantes da terceira série do ensino médio. Neste mês, costumam ocorrer os processos seletivos das principais instituições de ensino superior do País. A temporada dos grandes vestibulares começará oficialmente no próximo domingo, com a prova da Vunesp .
No fim de semana seguinte, será a vez do vestibular da Unicamp; no dia 22 ocorrerá a primeira fase da Fuvest. Isso sem contar os processos seletivos das particulares, marcados para acontecer quase na mesma época.
Professores de ensino médio consultados pela reportagem acreditam que os principais vestibulares deverão cobrar dos estudantes a capacidade de trabalhar com conceitos atuais e elaborados.
“Para garantir a competitividade, as principais universidades não terão outra opção senão abordar conhecimentos avançados em seus vestibulares”, pensa o professor de história Carlos D’Incao, que também é diretor e proprietário de um colégio particular em Bauru.
Ele acredita que as provas de ciências humanas serão marcadas por assuntos atuais e relevantes como a “Crise de 29” e suas semelhanças com as turbulências econômicas dos dias atuais. Na opinião de D’Incao, os exames também poderão abordar assuntos relacionados à Guerra Fria - modo como os historiadores designam o período entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a queda do Muro de Berlim (1989), marcado por disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética.
William Bornia Jacob, mantenedor de outra escola particular na cidade, também aposta que temas ligados à Guerra Fria farão parte dos exames das principais universidades do Estado. “Em 2009, fez 20 anos que o Muro de Berlim caiu. É uma data ‘redonda’, e isso pode favorecer a presença desses assuntos nos vestibulares”, pensa.
Na opinião de Jacob, os 200 anos do nascimento do naturalista britânico Charles Darwin e os 150 anos da publicação de seu clássico “A Origem das Espécies” (marcos da teoria da “Seleção Natural”) deverão ser lembrados pelos examinadores.
O professor de literatura e língua portuguesa Naul Antônio Buchignani, que atua num colégio particular, lembra que muitos assuntos podem servir de base para questões de diferentes áreas do conhecimento. “A interdisciplinaridade é uma tendência nos vestibulares hoje em dia. Os examinadores podem iniciar uma discussão sobre a Segunda Guerra Mundial a partir de um poema de Carlos Drummond de Andrade, por exemplo. Ou, então, utilizar os debates em torno do ‘pré-sal’ nas provas de química, biologia, história e geografia”, diz.
Ética
Por conta das mudanças ocorridas nos últimos anos na forma como as universidades selecionam seus candidatos, Buchignani afirma que existe uma forte tendência de os vestibulares abordarem questões ligadas à ética e à dignidade humana. “O combate à pobreza, o aquecimento global e a maneira como o homem se relaciona com o ambiente onde vive são assuntos que certamente serão discutidos nas provas”, pensa.
A Vunesp seleciona candidatos para 3.694 vagas na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em Bauru, 4.852 estudantes deverão participar da prova. Ao todo, 76.511 pessoas estão inscritas para o vestibular, que será realizado em 30 cidades do Estado.
A primeira fase consistirá numa prova com 90 perguntas de múltipla escolha. Os candidatos poderão usar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para compor a nota final. A segunda fase, que está prevista para ocorrer nos dias 20 e 21 do mês que vem, terá 36 questões dissertativas sobre conhecimentos específicos, além de redação.
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Agora, o segredo é relaxar
Para os vestibulandos que se dedicaram com afinco aos livros e apostilas no decorrer do ano, o segredo agora é tirar o pé do acelerador. “O candidato que se preparou deve aproveitar esta ‘reta final’ para tentar se preservar física e mentalmente. Além de estudar, é preciso reservar um momento para o lazer e o descanso”, recomenda William Bornia Jacob, mantenedor de uma escola particular em Bauru.
O estudante bauruense Pierluigi de Palma tem 16 anos e está na terceira série do ensino médio. Tentará garantir uma vaga para o curso de engenharia mecatrônica no vestibular deste ano. “Vou prestar Fuvest, Unicamp e Ufscar”, diz. No começo do ano, ele estudava com bastante freqüência. Porém, nas últimas semanas, com a aproximação dos exames, ele resolveu diminuir a carga de “trabalho”.
“Chega uma hora em que cansa. Não é fácil estudar todos os dias”, afirma Perluigi. Como disputará uma vaga em engenharia, ele prefere focar as matérias de exatas, área em que sente mais facilidade para aprender. Guilherme Zaia, 17 anos, colega de classe Pierluigi, quer fazer engenharia mecânica. Participará dos exames da Fuvest, da Vunesp, da UFSCar e da Unicamp, todos marcados para ocorrer nas próximas semanas. Mas garante não estar preocupado com essa maratona de exames. “É melhor fazer as provas tranqüilo”, pensa. Nos últimos tempos, Guilherme também resolveu tirar o pé do acelerador nos estudos. “Tento prestar atenção às aulas e fazer os exercícios das apostilas em casa”, afirma. O estudante bauruense Guilherme Franzé, 17 anos, que prestará medicina na Fuvest, na UEL, na Unesp e na UFSCar, também tenta manter a calma na reta final para os vestibulares. “Já estudei bastante ao longo do ano. Com tudo o que aprendi, acredito que terei condições de me sair bem nas provas”, diz.