Política

Rodrigo desiste de servir café gourmet ao servidor

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

O requinte do café tipo exportação que sairia para as diferentes repartições da Prefeitura de Bauru durou pouco. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) decidiu ontem suspender a aquisição do produto mais caro, gourmet, e abrir nova licitação para que o servidor público continue tomando cafezinho comum. A razão foi o amargo sabor decorrente do preço do quilo do café gourmet (R$ 14,50 o quilo), na comparação com os R$ 8,00, em média, do produto comum que era adquirido até então.

Agostinho admitiu o exagero na qualificação do produto gourmet, mas argumentou que a prefeitura vai manter a exigência de certificação ambiental e responsabilidade social da empresa que vier a fornecer o café. “Não era o melhor café do mundo, mas extrapolou um pouquinho”, disse, ontem à tarde, o prefeito, ao justificar a decisão de suspender o consumo do café gourmet solicitado pela Secretaria Municipal de Administração, conforme mostrou o JC na edição de ontem.

O prefeito criticou a qualidade do café que vem sendo consumido pela prefeitura e defendeu que a certificação ambiental deve prevalecer nas compras da administração, mesmo com a diferença de preço em relação aos produtos mais comuns do mercado. “Vamos exigir certificação ambiental, mas sem gourmet. Vamos suspender a licitação e o que está pedido é pouco mas dá para o consumo para não faltar o café até fazer outro registro de preço”, contou.

Assim, o cafezinho do servidor público deixa de ser diferenciado, mas não vai ser abolido, como queria o governo no início do ano. Para aderir ao produto eco-compatível a administração municipal concluiu licitação para pagar R$ 14,50 o quilo do produto. Em 2008, a prefeitura consumiu 9.201 quilos do produto.

O registro de preço com validade até setembro de 2010 teve a empresa J. Brilhante Comercial Ltda ME declarada vencedora para a entrega do produto da marca Itamaraty Gourmet. O secretário Municipal de Administração, Renato Gragnani, argumentou que o governo buscou café com certificado de produção dentro dos padrões ecológicos como requisito essencial, com programa de gestão ambiental e de responsabilidade social.

Mas o titular da pasta sustentou que foi determinada a redução em 40% no consumo dentro da administração. Não há notícia se a meta permanece com a suspensão do consumo da bebida aromática tipo gourmet. O cafezinho sofre o boicote do gestor municipal desde o governo passado, quando o então chefe de Gabinete de Tuga Angerami, Paulo Canalli, determinou cortes no consumo como medida de racionalidade de despesas. A situação ressuscitou a volta da “vaquinha” entre servidores para a cozinha não ficar sem a bebida nos intervalos de jornada.

Segundo o governo, a primeira licitação pediu café superior, com os mesmos requisitos ambientais do café especial. Mas como o certame foi fracassado (ninguém apareceu), foi necessário inserir também a possibilidade da entrega do tipo gourmet. Daí, oito empresas apareceram e, destas, quatro foram habilitadas.

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