Depois de ser aprovado na primeira etapa do processo seletivo para um emprego, o que inclui análise de currículo, chegou a hora da entrevista. Agora, o candidato ficará frente à frente com o responsável direto ou indireto pela sua contratação na empresa.
Apesar de a aparência não ser o fator determinante na escolha do profissional, ela está entre os itens analisados pelos recrutadores. Além do jeito como o candidato se comporta e fala de suas habilidades, a maneira como ele se veste também é avaliada. O figurino escolhido pode interferir positiva ou negativamente. Dependendo do cargo que se almeja, a roupa certa pode ser decisiva na hipótese de um “empate técnico” com outro candidato. Mas, com que traje se apresentar?
Na hora de tirar a roupa do armário, tenha em mente a posição que ocupará dentro da empresa. Monte o figurino de acordo com o cargo desejado. Mas nunca se esqueça de se vestir com elegância, seja com um traje formal ou informal.
De uma forma geral, o que os recrutadores esperam e desejam é bom senso dos candidatos. Roupas e unhas limpas, maquiagem leve, sapatos de salto médio ou sandálias e cabelos bem cuidados. “O que diferencia é a harmonia na vestimenta. É o excesso ou a falta”, aponta Renata Caputo, coordenadora de recrutamento e seleção da VH Brasil, empresa de recursos humanos.
Segundo ela, o equilíbrio na hora de se vestir é um fator que é levado em consideração pelos recrutadores, mas esse aspecto é apenas uma parte do processo. “Eu diria que (o mais importante) é o conjunto, ou seja, harmonia em se vestir, postura, apresentação, linguagem, experiência profissional, disponibilidade e interesse. Esses são fatores decisivos na avaliação”, afirma.
Uma pesquisa feita pela Catho Online mostra que, na hora da entrevista, os recrutadores preferem mulheres de calça e blazer (terninho), maquiagem leve e cabelos longos. Se o candidato tem mais de 50 anos, a preferência passa a ser pelo cabelo curto (veja quadro nesta página). A pesquisa foi realizada entre março e abril deste ano e ouviu mais de 16 mil recrutadores de empresas particulares, que responderam a um formulário online com 299 perguntas.
Comparando com pesquisas anteriores, nota-se que o terninho nas mulheres passou a ser mais valorizado pelos selecionadores do que o tailleur (blazer e saia do mesmo tecido). De acordo com a Catho, a preferência pela calça comprida e blazer pode ser explicada pelo aumento de entrevistadores do sexo feminino e mais novos, que consideram esse traje o mais apropriado.
Além disso, a pesquisa aponta que, para 91,7% dos recrutadores, as mulheres que buscam emprego devem usar maquiagem leve. Sobre o corte de cabelo, a maioria dos entrevistadores ainda prefere o cabelo longo. Entretanto, a preferência é menor entre as selecionadoras (58,7%), do que entre os selecionadores (67,6%).
Independentemente do comprimento do cabelo, existem outros aspectos que devem ser levados em consideração pelas mulheres que irão se submeter a uma entrevista de emprego. As candidatas que utilizam tinta no cabelo, por exemplo, jamais devem deixar a raiz com uma cor diferente. Isso pode passar a imagem de desleixo. Portanto, a ordem é retocar a tintura antes de encarar a entrevista.
“Principalmente, quem tem o cabelo muito claro. A tendência é que a raiz cresça com rapidez. Por isso, é importante manter sempre a tintura em dia, manter o cabelo mais bem arrumado possível, limpo, com um bom corte”, aconselha Natália Rodeguero, analista de recursos humanos da RH Assessoria.
As candidatas não devem se descuidar também das unhas. De acordo com a analista, elas não precisam, necessariamente, estar pintadas com esmalte, mas é desejável uma unha bem feita, não muito comprida e com uma base, pelo menos. Além disso, os decotes exagerados devem ser evitados a todo custo. Segundo Natália, a discrição torna a candidata mais confiável para determinadas empresas.
Existem cargos que a sobriedade não é um requisito necessário, como para a área de artes, design ou publicidade, por exemplo. “Nesse caso, não tem problema se for um pouco mais extravagante, com uma roupa mais descolada, um cabelo com corte ou cores diferentes”, cita.
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‘Já me senti observada’, diz candidata
Kellen Cristina Fernandes, 30 anos, já passou por diversas entrevistas de emprego. Na semana passada, lá estava ela, de novo, sentada em uma sala aguardando para passar mais uma vez pela avaliação de um profissional da área de recursos humanos.
De calça jeans, regata, maquiagem discreta e cabelo bem arrumado, Kellen diz que a aparência sempre foi uma de suas principais preocupações. Ela sabe que a competência profissional é a qualidade que tem o maior peso na hora da escolha dos recrutadores, mas o visual também conta. “Já me senti observada durante uma entrevista”, afirma. “As pessoas sempre olham como você está vestida. Acho que a roupa influencia, sim”, frisa.
Na opinião dela, comparecer a uma seleção bem vestida não ajuda apenas a passar uma boa impressão para os avaliadores, mas também a manter a auto-estima do candidato. A pessoa se sente mais confiante.
Para Haillen Golze, 21 anos, a imagem passada pelo entrevistado pode ser o item de desempate na disputa por uma vaga. “Já participei de muitas entrevistas e sempre me preocupo com a maneira de me vestir. Acredito que, além do talento, nós vendemos também nossa imagem”, diz.
Para reforçar ainda mais essa impressão, ela cita as observações feitas em suas experiências anteriores. Haillen diz ter notado que a maioria das candidatas que normalmente são convocadas para as fases seguintes da seleção é a que se apresenta mais bem arrumada para as entrevistas. Com base nessa conclusão, toda vez que é chamada para uma conversa com os profissionais de recursos humanos, ela capricha no visual. São pelo menos 30 minutos se produzindo para garantir uma boa avaliação também no aspecto aparência.