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Bauru do passado é “clicada” do espaço

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Vistos do espaço, os caminhos de Bauru apontam para o passado. Defasadas em aproximadamente quatro anos, as imagens de satélite no mapa da Google, a principal ferramenta de buscas do mundo, não retratam fielmente a cidade nos dias atuais, com o “congelamento” no tempo de importantes mudanças geográficas e paisagísticas.

Construções que até então não passavam de descampados recém-aterrados ou canteiros de obras, alterações significativas em importantes corredores rodoviários, entre outros detalhes que já deveriam estar, literalmente, fora do mapa, continuam apontadas como atuais nas imagens clicadas a partir do espaço.

Quem não conhece Bauru e tem no modo virtual a única forma de visualizar as cercanias da Cidade Sem Limites, vai se deparar com a “ressurreição” da demolida sede do Bauru Atlético Clube (BAC), que hoje dá lugar a um supermercado, com direito a vista aérea do que um dia foi o campo onde Pelé deu os primeiros dribles, além das piscinas que existiam na rua Rio Branco, região central.

Na tela do computador, a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), que liga Bauru a Marília, também não confere com a realidade. Duplicado em praticamente toda a extensão, o corredor rodoviário figura nas imagens via satélite ainda com pista simples, inclusive na confluência com a Marechal Rondon, já no perímetro urbano de Bauru, um dos primeiros pontos a receber a pista dupla.

O “jogo dos erros” com o mapa de satélite não fica por aí. Para os fãs de esportes mais atentos, o complexo Alfredo de Castilho, sede do Esporte Clube Noroeste, também denuncia, nas imagens captadas do espaço, a defasagem nas imagens do importante portal de consultas on-line.

Sem a marcante pintura vermelha – marco da gestão Damião Garcia, a frente do clube desde 2003 – as acinzentadas arquibancadas do estádio Alfredo de Castilho são outro item que evidencia que a cidade retratada atualmente pelo site já ficou para trás.

Importantes centros comerciais, edifícios grandes que hoje fazem parte do cotidiano da cidade, entre outras mudanças ocorridas em Bauru no período estimado de quatro anos, estão ausentes do mapa virtual fotográfico, segundo a assessoria de imprensa da própria Google, por tempo indeterminado.

Conforme nota enviada pela empresa à redação, o Google Maps não tem como objetivo o funcionamento em tempo real, sem a obrigatoriedade de prever obstáculos ou mudanças em determinada região, apesar de, em cidades maiores, como São Paulo, as fotos estarem atualizadas. Suposta prioridade para uma ou outra região não foi detalhada pela assessoria de comunicação do site.

Ainda de acordo com o Google, as imagens são adquiridas de um fornecedor e depende das atualizações do mesmo para eventuais modificações no mapa exibido no site. “Infelizmente não há como prever de quanto em quanto tempo ocorrem essas atualizações”, lamentou a representante da empresa, também por meio de nota. Contudo, nem todos os cantos da cidade retratados via satélite pelo Google estão desatualizados. As fotos da obra inacabada do viaduto sobre a ferrovia, no coração da cidade, continuam atuais.

Entre os observadores que detectaram a defasagem das imagens, está a professora Ana Maria Penteado Bertolozi, do curso de Geografia da Universidade do Sagrado Coração (USC). “Certamente, o que surgiu na cidade no período estimado de dois anos para cá não está no Google”, endossa. “O que nas fotos são ruas abertas de loteamentos, hoje, na realidade, são terrenos ocupados por muitas casas”, ilustra.

No entanto, pondera, em comparação às cartas fotográficas dos municípios, segundo a professora, com a última atualização impressa datada dos anos 1970, o sistema de geoprocessamento online está anos luz a frente. “As cartas impressas são importantes e fazem falta, mas estão muito atrasadas”, lamenta.

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