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Cursinhos orientam alunos a pular redação hoje

Folhapress
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São Paulo - Quase não dá tempo para se recompor. Depois das 90 questões de ciências da natureza e ciências humanas, a maratona do Enem recomeça hoje, com 90 questões de matemática e linguagens, mais a redação.

Para tudo isso, o Inep dá cinco horas e meia ao candidato. Especialmente em São Paulo, onde a redação não será considerada na maioria dos grandes vestibulares, os cursinhos têm orientado os alunos a não perderem tempo com a redação.

"A gente orienta a fazer a redação se o curso pretendido for usar a nota. Se não, tem mais é que aproveitar o tempo para resolver os testes", diz Carlos Alberto Ciscato, coordenador do pré-vestibular Intergraus.

Em São Paulo, a Unesp, única estadual que decidiu manter a utilização do Enem, não usa a redação. USP e Unicamp nem sequer usam o exame. A UFSCar e os cursos mais concorridos da Unifesp também não consideram a redação.

A redação é importante para os candidatos que concorrem a uma bolsa do ProUni e a uma vaga em algumas particulares e em universidades que participam do sistema unificado do governo federal, como alguns cursos da Unifesp e a UFABC.

A orientação de não fazer a redação -ou fazer se tiver tempo- não é a que as escolas têm passado para os seus alunos.

Sílvio Freire, orientador do ensino médio do Santa Maria, considera importante que os candidatos façam a prova inteira. "A dica do cursinho é efetiva. Ela não está errada. Mas tem uma intenção da nossa escola (em estimular o aluno a fazer a redação)".

Para ele, o Enem serve como um bom parâmetro para avaliar as ações pedagógicas da escola e, admite, não deixa de ser uma vitrine da escola, já que o MEC divulga o ranking com o desempenho das escolas.

Freire diz que fazer o Enem com cuidado pode ser um bom investimento para os próximos anos, uma vez que ainda não se sabe se esta edição poderá ser utilizada em processos seletivos do ano que vem.

Para quem optar por fazer a redação, a consultora de língua portuguesa Thaís Nicoleti aconselha a deixar ao menos uma hora para desenvolver a dissertação.

"Formalmente, o texto deve apresentar, no mínimo, três parágrafos (introdução, desenvolvimento e conclusão). É necessário desenvolver uma linha de raciocínio para defender uma ideia principal", diz Nicoleti.

Mais até do que em outros vestibulares, o aluno deve, no Enem, se preocupar em demostrar posicionamentos "politicamente corretos".

"Nesta prova não se pode desrespeitar os direitos humanos", diz Célia Passoni, coordenadora de língua portuguesa do Etapa.

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Foco em matemática

São Paulo - Para a prova de hoje, o candidato deverá estar disposto a "respirar" matemática. Diferentemente das provas de ciências da natureza e humanas, feitas ontem, e da de linguagens, que também será aplicada hoje, a disciplina de matemática terá um exame só para si.

Em ciências da natureza, por exemplo, houve questões de química, física e biologia. Na de ciências humanas, história, geografia e sociologia estiveram presentes.

Na prova de linguagens, os candidatos se depararão com questões envolvendo conhecimentos não só de língua portuguesa e literatura, mas também comunicação, educação física e artes.

Com isso, apenas matemática terá uma prova exclusiva, com 45 questões destinadas à disciplina.

Além disso, afirma Matheus Prado, do Instituto Henfil, a matemática aparecerá, em forma de gráficos e tabelas, em todo o exame."A linguagem matemática está presente em toda a prova", diz.

O especialista em Enem ressalta, no entanto, a importância da interpretação de texto, característica típica da prova de linguagens, entre as questões de matemática.

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