Economia & Negócios

Bauru: 3 carros para cada duas casas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru conta com uma frota de 179 mil veículos, segundo dados de maio do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A quantidade excessiva de veículos se tornou um problema para o sistema viário da cidade, que não foi projetado para dar vazão a tantos carros e motocicletas. Porém, a quantidade de veículos também se torna problema para seus donos. Como a cidade possui cerca de 123,7 mil imóveis residenciais, segundo o número de relógios de energia elétrica ligados da CPFL, a média é de 1,5 carros para cada casa. Se o imóvel não tiver garagem espaçosa, é dor de cabeça na certa.

Com a facilidade para aquisição de carros, após o incentivo governamental de redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o acesso facilitado às linhas de crédito, a frota da cidade aumentou consideravelmente. De acordo com reportagem publicada no último domingo pelo Jornal da Cidade, isso levou ao aumento dos gargalos de trânsito em Bauru, mesmo com as mudanças feitas pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), alargando avenidas e proibindo estacionamentos nas vias mais movimentadas.

Porém, além de deixar o trânsito da cidade mais lento, a quantidade de veículos da cidade também trouxe um outro problema: a falta de lugar para guardá-los. A maioria das casas mais antigas de Bauru possui garagem com capacidade para apenas um veículo. E a maioria dos prédios residenciais possui apenas uma vaga de estacionamento para cada apartamento.

Mas como muitas famílias possuem mais de um carro por imóvel, encontrar um lugar para manter o veículo tem se tornado um problema. É o caso do representante comercial José Alfredo Garcia da Silva. Sua família mora em um prédio residencial no Jardim Contorno e tem direito a apenas uma vaga no estacionamento. Porém, sua família possui três carros.

“É uma situação que é inevitável. Ao vir para o apartamento, estávamos cientes que só teríamos uma garagem”, conta. Assim, por quase seis meses, os veículos ficavam para fora do prédio, estacionados na rua. “O problema é que é um lugar escuro, com terrenos vazios dos lados. Não tinha muita segurança”, lembra.

A saída encontrada pela família foi alugar as vagas de vizinhos que não possuem carros. Essa solução é recorrente no local e existe até um padrão. De acordo com Garcia, o aluguel da garagem é 30% do valor cobrado pelo condomínio. Dessa forma, ele acaba desembolsando mais de uma vez e meia o valor da taxa todos os meses. “É um gasto a mais, mas é melhor do que deixar na rua”, pondera.

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Valorização

Para Carlos Eduardo Candia, delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci) de Bauru, o normal dos edifícios da cidade na garagem é oferecer apenas uma vaga para cada apartamento. Mas ainda há alguns imóveis que não oferecem estacionamento. “Esses são muito difíceis de serem negociados”, pondera.

Os que já possuem duas vagas são mais fáceis de serem comercializados. “Eles são mais atrativos. Porém, são mais caros”, pondera.

“Atualmente é comum as famílias terem mais de um veículo. Um exemplo é um casal que decide morar junto. Na maioria desses casos, os dois possuem carros”, avalia. Uma alternativa oferecida pelas construtoras é a oportunidade de escolher uma vaga a mais. “Muitos novos empreendimentos estão saindo dessa forma. Os apartamentos possuem uma vaga e a construtora dá a opção do cliente comprar um espaço a mais”, explica.

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