A cada dia que passa, mais mistério cerca o caso da bauruense Adriana Melanda, 33 anos, que está desaparecida desde quarta-feira à tarde, quando disse ao marido que estava retornando de Marília para Bauru, após um dia de trabalho. Ontem a Polícia Civil de Bauru, que investiga o desaparecimento de Adriana, decretou sigilo sobre qualquer novo fato relativo ao caso até descobrir o que ocorreu. Nenhuma hipótese é descartada.
O delegado Silberto Sevilha Martins, adjunto do 1.º Distrito Policial, que apura o caso, frisa que o objetivo do sigilo é não atrapalhar as investigações. Ele garante, no entanto, que as investigações “estão caminhando” e que as buscas a Adriana continuam. Uma denúncia anônima feita à Polícia Militar na sexta-feira passada dava conta de que uma mulher vítima de roubo havia sido deixada amarrada a uma árvore às margens de uma estrada vicinal entre Duartina e Ubirajara.
Buscas foram feitas na região, inclusive com ajuda do helicóptero Águia, e em outros locais de Bauru e nenhuma pista de Adriana foi encontrada. Como o carro - alienado em nome do Banco Ford - e o celular dela foram localizados com Vander Pedroso Cuba, 28 anos, no Núcleo Gasparini, que diz ter comprado o veículo com o aparelho dentro de uma terceira pessoa, a suspeita principal é que ela foi vítima de roubo.
Ele está preso temporariamente por 30 dias, conforme o JC já informou, e disse à polícia, em depoimento, que comprou o carro de um homem no início da noite de quarta-feira e nada sabia de Adriana. O curioso é que a carteira da mulher foi localizada, com documentos e cartões bancários, abandonada numa estrada de terra na mesma região do Gasparini.
Não houve pedido de resgate, o que praticamente descarta a hipótese de seqüestro. Mas há, ainda, a possibilidade de crime passional e até desaparecimento voluntário. O JC apurou que a Polícia Civil também não descarta o envolvimento de alguma pessoa próxima a ela. E há muitas perguntas sem respostas no caso. Uma delas é como o carro de Adriana foi comprado por Cuba tão rápido – no intervalo entre uma e duas horas após a última ligação dela ao marido.
Outro questionamento é por que o celular da mulher foi deixado dentro do carro? Se Adriana foi vítima de roubo, porque o ladrão também não a obrigou a informar a senha do cartão bancário e realizou saques? Segundo Janaína Alves de Oliveira, amiga de Adriana há 13 anos, não foram registrados saques na conta bancária da mulher.
Outra pergunta no ar é como Adriana foi abordada na tese que tenha sido vítima de roubo. “Como qualquer pessoa acostumada a viajar, ela não parava na estrada. Entre Marília e Bauru, nem em posto de combustível. Ela só pararia se tivesse uma criança pedindo ajuda ou encontrasse um cachorro atropelado, por exemplo”, diz Janaína, que mantém as esperanças de encontrar Adriana viva, mas reconhece que a cada dia que passa está mais difícil disso ocorrer.
O delegado Dinair José da Silva, titular do 1.º Distrito Policial, comenta que mistério é informações desencontradas são comuns em muitos casos de desaparecimentos e homicídios. “No caso Sapé (o ex-secretário de Esportes José Roberto Franco, o Sapé, assassinado em maio do ano passado no Vale do Igapó), por exemplo, também surgiram muitas hipóteses, muitas teses. Mas no fim tudo foi esclarecido”, comenta ele lembrando que um caseiro, ao ser preso, confessou ter matado Sapé para que ele não denunciasse furto de gado.
Mas se a polícia concluir que Adriana foi vítima de roubo, mesmo que ela não seja encontrada, pode haver condenação a exemplo do que ocorreu no caso do empresário Nélson Olyntho Machado. Ele desapareceu em 2002 em Bauru e não foi encontrado até hoje, mas com base em investigações e no depoimento de um dos acusados do crime, a Justiça condenou dois homens pela morte do empresário.
• Serviço
Informações sobre o caso podem ser dadas à Polícia Civil pelos telefones 3238-5151 e 3238-7377.