Política

Polícia apura extorsão no Sinserm

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru (Sinserm) está sob fogo cruzado, em uma denúncia contra funcionária demitida em julho deste ano que teria, segundo a direção da entidade, preparado extorsão com suposto dossiê apontando eventuais irregularidades em contas e despesas internas como condição para obter emprego de volta. De outro lado, a ex-secretária da entidade por 12 anos, Osnilda Ferreira de Souza, denuncia o sindicato por assédio moral, demissão ilegal e nega autoria do suposto dossiê.

O caso está no 3º Distrito Policial (DP) com versões nas duas direções, de acusado e acusador, ainda na fase inicial de inquérito. O Sinserm é autor de representação criminal contra a ex-secretária, alegando que esta tentou extorquir a direção da entidade após ter sido demitida, em julho deste ano. A suposta extorsão estaria ancorada, conforme o sindicato, em dossiê montado pela demitida, com documentos de contas, ofícios e despesas internas com indicação de eventuais irregularidades.

O advogado do Sinserm, Sandro Fernandes, confirmou que a entidade foi à Polícia Civil pedir investigação sobre autoria e materialidade em tentativa de extorsão e montagem de documentos que teriam sido praticados pela então secretária. Mas esta alega que não montou dossiê, não teve acesso a documentos de cheques, notas fiscais, recibos e ofícios e que a acusação se baseia em conversa que manteve com a diretora do Sinserm, Eliane Koti.

“Eles foram à polícia denunciar que eu montei dossiê contra eles e isso é absurdo. Eu tive conversa com a Eliane (Koti) porque trabalhamos juntas com vendas de bijouterias e esses encontros são mensais. Mas a Eliane reclamava de te sido descartada da direção. Eles alegam à polícia que eu fui à Eliane para extorquir, que ou tinha meu emprego de volta ou apresentaria dossiê. Isso não existe”, conta Osnilda.

Segundo Osnilda, há racha na direção do Sinserm, cuja diretoria está nas funções desde janeiro de 1997 e no atual quarto mandato.

A diretora do Sinserm, Idelma Corral, confirma a tese de extorsão contra a então secretária. “Ela não aparece na extorsão de forma direta, ela teve a reunião com a Eliane e tentou fazer a extorsão com bilhete e apresentação de documentos a ela. O sindicato rebate ponto a ponto as acusações infundadas dela e requisitou o inquérito policial já com provas de que estas irregularidades não existem. Ela entregou envelope com os documentos à Eliane Koti”, comenta Corral.

As versões

Eliane Koti, citada tanto pelo sindicato na representação quanto por Osnilda em sua alegação contestando a tentativa de extorsão, assina a queixa contra a ex-funcionária juntamente com os demais membros da diretoria.

Osnilda disse que vai acionar o sindicato na esfera trabalhista por assédio moral, demissão ilegal e, depois, por denúncia infundada nas instâncias correspondentes.

“Eu soube que tenho câncer no nariz em março deste ano e levei ao sindicato a situação. Em julho sofri demissão depois que não concordei com reajuste de 140% oferecido a outros funcionários e 10% para mim. Não fiz dossiê, não fiz extorsão, sofri assédio moral por não concordar com as diferenças nos reajustes salariais, minha demissão foi ilegal e agora estou sofrendo acusação de extorsão”, alega a ex-secretária.

A direção do Sinserm argumenta que não procede a versão da secretária, que ela é quem solicitou aumento absurdo no salário quando mudou de função, em julho, para a área de finanças. “A demissão foi pedida por ela porque o sindicato concede aumento salarial, mas de acordo com a disponibilidade de sua arrecadação”, rebate Corral.

Já o suposto dossiê, agora em posse da polícia e sob inquérito, contém acusações de eventuais irregularidades em despesas do sindicato com pagamentos a parentes de membro da direção, acusação de suposta nota fria de serviço de reforma na sede, reposição à assessoria jurídica relativo à Imposto de Renda (IR), pagamento ou repasse de recurso ao PSTU (partido a qual a diretoria é filiada), entre outros elementos.

Mas a direção do Sinserm rechaça as denúncias e apresenta, na mesma representação, informações e documentos para demonstrar a regularidade das despesas. Porém, o sindicato atribui à ex-secretária a falsificação de informações por escrito e montagem para a produção do tal dossiê.

O advogado da entidade, Sandro Fernandes, comentou: “o sindicato não compactua com irregularidade e crime e por isso levou o dossiê com tentativa de extorsão à polícia. A alegação de doença da funcionária é novidade para o sindicato”, finaliza. Já Osnilda diz que não é autora da apresentação de irregularidades internas.

“Eu fiquei doente, sofri pressão e fui demitida. Pela demissão vou buscar indenização e pela acusação absurda de ter feito extorsão também vou acionar o sindicato. O inquérito tem cheques, documentos, recibos, notas, mas não fiz dossiê nenhum. A única explicação que eu tenho é que eles tentam misturar os fatos porque vou entrar com indenização pela demissão ilegal. Não tem gravação de que eu fiz extorsão e nem documento”, conclui.

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