Um temporal de menos de meia hora foi responsável por derrubar várias árvores pela cidade, deixar quadras sem energia elétrica, semáforos desligados e casas destelhadas. A região onde os moradores mais sentiram os efeitos da ventania foi a do Parque Real. Todos os 34 casebres de uma favela existente no local, na atura da quadra 4 da rua Braz Fernandes, sofreram danos. Desse total, 12 ficaram em situação mais crítica. A Defesa Civil atendeu os moradores com distribuição de lonas. Eles cobram agilidade no processo de desfavelamento do bairro.
O temporal começou por volta das 17h e durou menos de meia hora. A velocidade do vento, de acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), chegou a 50 quilômetros por hora. Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil em Bauru, calcula que na região do Parque Real a ventania tenha sido ainda mais intensa.
A força do vento foi suficiente para destelhar por completo quartos da casa de José Roberto Jorge Costa. No final da tarde de ontem, ele cobria parte da sua residência com a lona entregue pela Defesa Civil. Revoltado, cobrava o poder público. “Onde está o prefeito nessas horas?, questionou.
Na casa de Adriana Regina Solano, onde vivem ela e sete crianças, o caibro do telhado caiu sobre a moradora e um bebê de 1 ano. “Minha sobrinha foi arremessada contra a parede e está com um galo enorme na testa. Uma telha caiu no braço de minha filha. Tudo o que construímos foi destruído”, lamenta. A chuva que entrou acabou danificando móveis e eletrodomésticos. Ferida na testa, Carla Rafaela Solano, 6 anos, lamentou a perda de seus pertences. “Estragou todos os meus cadernos”, chorava.
A dona de casa Aline da Silva, que também mora em um casebre com oito crianças, conta que perdeu eletrodomésticos e roupas. “O vento começou a levar as telhas embora, então, corremos para a rua. Sabemos que morar aqui é arriscado, mas estamos esperando que o projeto de desfavelamento continue”, conta.
De acordo com Brito, as famílias foram orientadas a procurar o Núcleo de Apoio Sóciofamiliar (NAF) do bairro, na segunda-feira. Ontem, ele distribuiu lonas para a cobertura dos telhados, já que a previsão é de chuva neste domingo. “Houve destelhamento dos 34 barracos do local. Desses, 12 estão em situação mais crítica, mas nenhum corre risco de desabamento”, destaca. “O problema são os telhados construídos de forma mista, sem a fixação correta das telhas. Não agüentam um vendaval”, explica.
Algumas famílias iriam procurar abrigo momentâneo na casa de parentes. Mas ninguém iria deixar os casebres. “Também colocamos o Albergue Noturno de sobreaviso, caso alguém decida procurar auxílio”, informa Brito. Segundo o coordenador, também foi registrado destelhamento em imóveis na rua Marcondes Salgado e de uma loja no Calçadão da Batista de Carvalho, no Centro.
Previsão
“Foi um temporal típico de verão. A região ficará em alerta até o dia 8 de abril, que é o período em que esse tipo de chuva forte costuma acontecer”, esclarece Brito. De acordo com a meteorologista Zildene Pedrosa de Oliveira Emídio, do IPMet, o temporal foi provocado por uma frente fria, que se desloca em direção ao Oceano Atlântico. “Amanhã (hoje) a nebulosidade irá persistir, mas irá melhorar a partir de segunda-feira, quando não há previsão de chuva”, diz.
____________________
Árvores tombam
O Corpo de Bombeiros recebeu chamadas alertando sobre tombamento de árvores por toda a cidade, além de galhos que caíram sobre residências e automóveis. De acordo com a Defesa Civil, foram cerca de 60 incidentes por toda a cidade. Algumas plantas tombaram, levantando suas raízes. Entre os casos alertados à reportagem estão árvores caídas na rua Benjamim Constant, no Centro, Domiciano Silva, quadra 2, Capitão Gomes Duarte, quadra 8, avenida Elias Miguel Maluf, quadra 6, rua Floriano Peixoto, quadra 2, rua Tamandaré, quadra 11, e rua Antônio Alves.
____________________
Poça gigante
No Parque Viaduto, o problema na quadra 7 da rua Alfredo Rodrigues de Souza é uma grande poça de água formada pela chuva. Apesar da precipitação acumulada registrada no IPMet durante o temporal de ontem não ter sido muito grande, 14 milímetros, a chuva serviu para agravar ainda mais o problema.
Para a dona de casa Sílvia Helena de Souza, a situação é ainda mais crítica. “A água da poça escorre para dentro do meu quintal e acumula nos fundos. Aí, acaba infiltrando para debaixo da casa”, explica.
Ela conta que o problema ocorre há 4 anos, mas que agora o risco é maior. “As paredes já estão rachando e a parte de trás da casa está afundando”, diz.