O drama do garotinho baiano de 2 anos internado com ao menos 29 agulhas de costura pelo corpo despertou comoção em todo País. Não só pelo ato bárbaro de introduzir os objetos no corpo de uma criança, mas pelas conseqüências que a selvageria provoca, já que o ato pode até matar o menininho. O pediatra bauruense Felinto dos Santos Neto explica que além do desconforto causado pela infecção de ter um objeto estranho em seu corpo, o garoto não sente dores provocadas pelas agulhas. “Ele está de repouso, então as agulhas não se movimentam muito. O problema são as que estão próximas ao coração e pulmão, que são órgãos que estão em movimento constante. Elas podem causar perfurações e levá-lo à morte”, diz.
Até a conclusão da reportagem, o menino passava por cirurgia para a retirada dos objetos em pontos mais críticos. O procedimento teve início às 16h e a expectativa é que terminasse depois das 22h. Se a cirurgia for bem-sucedida, o garoto deverá passar por outras duas operações. De acordo com Felinto, essa é a melhor maneira de tirar os objetos do organismo da criança.
“As que estão próximas ao coração podem, com o movimento do músculo, perfurar e dilacerar o órgão. Ou pior, perfurar alguma grande artéria e causar um sangramento que é praticamente impossível de ser contido”, observa. A que está perto do pulmão chegou a perfurar o órgão, levando a equipe médica do Hospital Ana Néri, em Salvador, onde ele está internado, a colocar um dreno para evitar maiores problemas à respiração do garoto.
“Essa agulha também deve ser retirada o mais rápido possível, para não comprometer ainda mais a respiração da criança”, observa Felinto. Essas foram as primeiras agulhas removidas pela equipe cirúrgica, de acordo com o informado pela imprensa nacional.
As outras agulhas estão espalhadas pelo abdome do menino e não são uma ameaça tão imediata. Elas estão próximas a órgãos como fígado, bexiga e intestino. “São órgãos estáticos e as agulhas próximas podem ser removidas mais tarde”, observa. Se acaso a criança tivesse engolido as agulhas e elas estivessem dentro do estômago, por exemplo, Felinto avalia que os objetos poderiam ser retirados por endoscopia. “Mas como não é o caso, a cirurgia é a forma mais indicada”, diz.
Felinto, que atende na área de urgência e emergência há 17 anos, afirma que nunca viu caso como esse. “Já vi agressões a crianças de todas as formas, mas desse tipo, nem no Pronto-Socorro, nem na residência médica”, diz.
Ele explica que a criança sentiu muita dor quando as agulhas foram espetadas, mas que agora, o menino sente apenas os efeitos da infecção provocada pelos objetos. Ele também avalia que o caso deve ser investigado a fundo, já que a criança deve ter ficado com sinais onde os objetos foram introduzidos.
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O caso
A polícia considera que a criança teve as agulhas enfiadas no corpo durante um ritual de magia negra. De acordo com o delegado Hélder Fernandes Santana, que cuida do caso, o padrastro do garoto teria confessado o crime.
O auxiliar de serviços gerais Roberto Carlos Magalhães, de 30 anos, foi preso na última terça-feira. Ele teria confessado, durante depoimento, que levava o garoto à casa de uma mãe de santo chamada Angelina, que segundo ele, praticava rituais de magia e o instruía a colocar as agulhas no menino. Magalhães, a amante dele e a suposta mãe de santo estão presos.