O volante são-paulino Richarlyson talvez não seja o maior ídolo da galera tricolor. Ontem, porém, viveu um dia de estrela em Agudos, no jogo beneficente realizado no estádio São José (popularmente conhecido como campo da Brahma) entre os “Amigos do Richarlyson e Julinho Fressato” e os “Amigos de Agudos”. O atleta bauruense causava furor na arquibancada, sempre que tocava na bola. Antes e depois da partida, roubou a cena dos colegas de clube, do irmão Alecsandro e até de sumidades da canção popular.
O objetivo do evento, que reuniu personalidades do futebol e da música, era arrecadar alimentos para quatro instituições assistenciais da cidade. Milhares de pessoas compareceram ao estádio para assistir ao jogo solidário. Os cantores sertanejos Gian e Giovani foram os primeiros a pisar em campo para reconhecer o gramado.
A presença dos dois causou enorme alvoroço entre os torcedores. Depois, vieram Rodrigo, Índio, Edu, Alisson, Carlinhos Paraíba, Leozinho, Jorge Henrique, Rafael Tavares, Denis e Alecsandro - e o delírio na arquibancada aumentou. Não era para menos. Afinal, a maioria desses atletas participou da última edição do Brasileirão da Série A, talvez a mais concorrida das últimas décadas.
Richarlyson, um dos últimos a pisar no gramado, foi, sem dúvida, o mais assediado. Recebeu aplausos e urras até dos arquirrivais corintianos, santistas e palmeirenses (devidamente uniformizados). O volante se deixou contagiar pelo entusiasmo das arquibancadas e passou a abusar (no bom sentido) das jogadas de efeito.
Se algum desavisado chegasse ontem ao estádio São José e se deparasse com as firulas de craque feitas pelo volante - que agora possui longas madeixas -, talvez fosse levado a crer que não estava vendo Richarlyson jogar, mas sim o Ronaldinho Gaúcho dos bons tempos, outro que chama a atenção não só pelo talento com a bola nos pés, mas também pelo visual inusitado.
Apesar das belas jogadas, Richarlyson não conseguiu balançar as redes. O verdadeiro destaque da partida, pelo menos no quesito gols, foi Denis, reserva de Rogério Ceni no São Paulo. Na reta decisiva do Brasileirão deste ano, Rogério se machucou e Denis fez belas exibições com a camisa 1 do Tricolor. A se julgar por sua atuação no jogo solidário, o reserva parece estar seguindo à risca os passos do titular.
Denis marcou dois gols e ajudou seu time, o “Amigos do Richarlyson e Julinho Fressato” a vencer o “Amigos de Agudos” por 6 a 1. Tudo bem que não foram em cobranças de falta, como no caso de Rogério. A ousadia do goleiro foi apenas uma das atrações da partida solidária. Por volta dos 30 minutos do primeiro tempo, um helicóptero aterrissou no gramado do São José para “resgatar” a dupla Gian e Giovani. Os dois tinham um show marcado para as 21h, em Uberlândia (Minas Gerais), e tiveram de ir mais cedo para o chuveiro.
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Cabeleira indomável
Show mesmo quem deu foi Richarlyson com sua cabeleira indomável. Ao final do jogo, ele passou quase 15 minutos conversando com a imprensa. Pelo menos 90% das perguntas dirigidas ao atleta versavam sobre cabelos e afins.
Logo no começo da coletiva improvisada, o jogador cometeu uma gafe. Ao comentar sobre como gostava de aproveitar as férias, disse que sempre teve “muita responsabilidade pela entidade Esporte Clube São Paulo”. O nome correto é São Paulo Futebol Clube.
Richarlyson garantiu estar muito feliz com seu novo visual. “Tudo o que é plausível, agradável, e que é para o meu ego, eu vou fazer”, disse. Por enquanto, ele desconversa sobre a possibilidade de cortar as mechas. “Já tive cabelo grande, no tempo em que joguei no Santo André. Depois, resolvi cortar”, conta. Nessa época, Richarlyson conta ter sido criticado por um sobrinho (então, com 4 anos de idade), devido ao novo visual.
Richarlyson negou ter sido ameaçado por torcedores, em decorrência dos apliques colocados nos cabelos. “Gosto, cada um tem o seu”, disse. Dias atrás, porém, um usuário de uma comunidade do Orkut chegou a postar uma mensagem no site sugerindo uma surra no jogador. Outro ameaçava matar o atleta. “Há pessoas que se preocupam mais com o que eu visto ou uso do que com o meu futebol. A única coisa que temo nesta vida é Deus, que criou o céu e a terra. Os demais são pessoas humanas, como eu”, filosofou.
Richarlyson está no Tricolor há quase seis anos. Em breve, alcançará a marca de 200 jogos com a camisa do clube. “É por isso que não ligo para especulação extra-campo. Não ficarei só seis anos no São Paulo”, afirmou. O contrato dele com o time vencerá no final de 2010. O volante garante já ter sido procurado pelo presidente, Juvenal Juvêncio, a fim de estender seu prazo de permanência na equipe.