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Cresce o número de festas para os que passam Natal longe da família


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Todos os anos, muitos brasileiros passam o Natal sem a família, mas nem por isso deixam de comemorar. Para este grupo, passar a festa sozinho e em casa está fora de cogitação. Vale organizar balada, dar um jeitinho de ser convidado para uma ceia tradicional bem familiar com direito a troca de presentes ou ainda se juntar a um bando de desconhecidos num restaurante que arrumou o salão com ares de casa de verdade.

Para os mais descolados a tarefa é bem mais fácil. A promoter Fernanda Barbosa, carioca, loira e jovem, na semana passada ainda estava em dúvida sobre o seu real destino na véspera e no dia de Natal em São Paulo. Mas não por falta de convites. Ela é uma daquelas figuras disputadas, que nunca ficam na mão. A dúvida vem do excesso de convites.

Quem não tem tantos contatos na manga usa a criatividade. O promoter Rodrigo Fernandes, de 29, resolveu dar uma festa para os sem-família na véspera de Natal, no Hot Hot, o novo clube de Flávia Ceccato, ex-dona do Lov.e, no Centro da capital paulista (www.hothot.com.br).

“A minha família é de Minas Gerais, mas tenho que ficar em São Paulo trabalhando nesses dias. Então inventei a festa. Tem, amigo meu que vem de fora da cidade para curtir.”

A balada começa à meia noite e vai até o último cliente. O clima natalino fica por conta do DJ, que vai vestir roupa de Papai-Noel e dos convidados dispostos a celebrar para espantar qualquer sombra de tristeza ou depressão que possa surgir. “É uma outra forma de comemorar o Natal.” No ano passado, Fernandes passou na casa de um fotógrafo, que resolveu cozinhar para todos os amigos sem-família. Os convidados tinham que levar a bebida e a sobremesa.

“A gente não imagina quanta gente fica sem programa nesta época do ano”, diz Fernando Luz, de 60, dono do Portinho, restaurante em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. “Sempre fechei o restaurante na noite de Natal, mas há cinco anos resolvi abrir apenas para a minha família comemorar. Uma amiga pediu para participar, eu deixei.”

Os vizinhos ficaram sabendo e a notícia foi se espalhando no boca a boca. E quando Luz se deu conta, havia uma lista de pessoas quase que implorando para participar da festa. “Abri para todos que estavam interessados. Eu acabei trabalhando a noite inteira.” A festa virou tradição. E hoje a iniciativa começa a ser incorporada por outros estabelecimentos da região.

Só que agora o evento é mais organizado. “Preparo a ceia um dia antes, para poder me divertir no dia também.” O cardápio é uma mistura de pratos libaneses e italianos. Tem peru, perna de cabrito, cordeiro, salpicão, salada de bacalhau, e algumas entradas árabes, como babaganuche (pasta de berinjela) e chancliche (queijo árabe), entre outras opções (a ceia custa R$ 130, tel.: 12 3894- 9351). “Procuro reproduzir com fidelidade o Natal que eu tinha na minha casa quando era criança. E isso faz muito sucesso.”

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