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Brasileiros são atacados no Suriname

Folhapress
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Albina - Um grupo de 81 brasileiros que trabalhavam em um garimpo na cidade de Albina, no Suriname, foi atacado por moradores locais na noite da última quinta-feira. Segundo a embaixada do Brasil no país, 14 ficaram feridos, sendo sete em estado grave. Um grávida foi levada para um hospital da Guiana Francesa, próximo dali, e perdeu seu bebê; os demais foram transportados para a capital, Paramaribo, a 150 quilômetros.

O ataque foi motivado pelo assassinato, horas antes, de um "marrom'' -como são conhecidos os descendentes de quilombolas no Suriname- por um brasileiro que lhe devia dinheiro. Segundo a embaixada, de 200 a 300 surinameses cercaram o acampamento dos brasileiros, saquearam-no e agrediram homens, mulheres e crianças a golpes de facão. Há também relatos de estupros.

O governo da Guiana Francesa enviou os bombeiros e a polícia para pacificarem a situação, enquanto o Suriname mandou o Exército e retirou do local os brasileiros, que foram instalados em dois hotéis da capital.

"Esses descendentes de quilombola se acham praticamente os donos do lugar, então, ao que parece, tentaram se impor aos brasileiros que estavam por ali. Eles não gostam de quem os desafia. O próprio governo do Suriname tem dificuldade para estabelecer a lei na região", disse José Luiz Machado e Costa, embaixador do Brasil no país.

Costa disse que tomou conhecimento do ocorrido somente no final da tarde de anteontem, quando telefonou ao chanceler em exercício, Antonio Patriota -o chanceler Celso Amorim está no Egito. O Brasil ofereceu ao Suriname enviar um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com mantimentos e remédios, ajuda que foi dispensada em um primeiro momento. Na tarde de ontem, porém, o governo surinamês se mostrava mais disposto a aceitar o apoio, e a embaixada ainda esperava uma manifestação oficial para definir se a operação seria realizada.

Ilegalidade

"Não sabemos como ficará a situação dos brasileiros. Eles têm o direito de ir e vir, e há muitos que moram há décadas no Suriname, têm os seus próprios negócios, estão bem instalados", contou Costa. "No entanto, conversamos com alguns que se encontram bastante assustados e querem voltar imediatamente para o Brasil. Nesses casos, daremos toda a assistência que nos for solicitada." Ele disse que sua primeira recomendação aos cerca de 15 mil a 18 mil brasileiros que moram no Suriname é para que regularizem a sua situação -não é necessário visto para morar no país, mas para ficar mais de três meses é preciso registro.

"A convivência sempre foi de harmonia. Porém, alguns brasileiros não pagam impostos, estão em situação ilegal, e isso gera às vezes alguma tensão. Eles são vistos como pessoas que usufruem dos serviços públicos sem pagar nada por eles".

O ministro da Defesa, Ivan Fernald, o da Justiça, Chandrika Santhoki, e o das Relações Exteriores do Suriname, Robby Ramlakhan, foram à TV na sexta à noite para pedir desculpas aos brasileiros residentes no país e dizer que fariam de tudo para garantir a sua segurança e a convivência pacífica.

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