Tribuna do Leitor

Simplificando


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Eu não tive oportunidade (ou não aproveitei nenhuma das que tive) de fazer faculdade, estudar, me graduar, etc, como teve a grande maioria dos políticos e dirigentes do país. O Brasil é um país saturado de uma infinidade de problemas e de uma outra infinidade de doutores PHd que inventam fórmulas e equações para complicar ainda mais os problemas, achando que isso ajudará a resolvê-los.

Nos primórdios de minha educação mal feita em escola pública, eu aprendi que para se resolver um problema devemos simplificá-lo ao máximo e a solução fica fácil. Exemplo: X+3=5 daí invertendo as posições 5-3=X, a conta fica X=2. Acabo de ler que os brasileiros pagam em média 42% de todo seu rendimento anual com impostos e que nos próximos anos essa porcentagem aumentará para 51% - o que é totalmente absurdo e surreal. Andei pesquisando sobre as causas deste absurdo e procurando entender quem seriam os responsáveis por isso e descobri que todos são (inclusive eu), pois agem de forma errada e cada um à sua maneira vai engrossando a bola de neve.

Eu tenho um trabalho informal e portanto não pago imposto de renda, e pretendo continuar assim, já que um registro em carteira diminuiria em muito minhas possibilidades de rendimento e os benefícios não compensam em nada as perdas. Simplificando: mais de 50% dos trabalhadores brasileiros são informais e se somarmos com o que é sonegado essa porcentagem deve chegar a uns 65% e somando com os desvios, roubos, etc uns 85%. Então esses 15% que restam é que arcam com toda a arrecadação do país. O governo não pode abrir mão de arrecadar o dinheiro necessário para manter o país e por isso se recusa a diminuir impostos. Os trabalhadores não podem arcar com uma carga tão grande e por isso se mantém informais. Os empresários não podem eliminar seus lucros para arcar com os encargos de contratações formais então os mantém informais. E por aí vai...

E cada vez que se importa, um dr. que estudou no exterior para tentar resolver o problema inventa umas duzentas fórmulas de mascarar as coisas: tira deste põe naquele, muda o nome do imposto, pára de cobrar deste e começa a cobrar daquele e no fim nada muda. Ou se muda, é pra pior. Como não considero válida nenhuma crítica que não esteja acompanhada de uma sugestão, vou aqui dar a minha: senhores doutores governantes, não desconsiderando seus excelentíssimos estudos, peço que regridam aos primeiros e básicos ensinamentos que tiveram e parem de complicar o que é já complicado demais. A única finalidade que eu posso imaginar para se inventar tanta sigla, regra, fórmula, burocracia para a tarifação tributária é enganar e esconder da maioria absoluta leiga (como eu) da população que estão sendo lesados e/ou para facilitar os desvios e apropriações indébitas do nosso pobre dinheirinho para os vossos bolsos. Visto que o aumento de tipos e siglas de impostos nunca ajudou a amenizar os estragos e danos que eles nos causam, e, pior, nunca tem os efeitos benefícios a que supostamente se destinam sentidos por nós que os pagamos.

Segundo: não esperem que nós, população, tomemos a iniciativa de sacrificar o dinheiro das nossas necessidades nos formalizando e pagando os absurdos valores até que os senhores estabilizem as finanças para, só depois, reduzirem impostos. A iniciativa tem que partir do governo. Usem seus maravilhosos conhecimentos para achar uma forma de fazer o que qualquer dona de casa ou trabalhador simples sabe fazer magistralmente: sabendo que vai passar um período sem dinheiro (como seria se o governo abaixasse os impostos primeiro para depois contar com a formalização dos trabalhadores e normalização da arrecadação) sacrificamos alguns luxos para poder manter as necessidades básicas do período. Qualquer um sabe fazer isso. E se algum dos senhores tem a ilusão de que seria possível o povo tomar a atitude e começar a pagar impostos para esperar que o governo se adapte e, depois, pratique valores justos... voltem ao primário e estudem o seguinte: quando o povo toma a atitude, por conta própria de mudar um sistema que rege um país, isso não se chama governo, se chama revolução. Tenho certeza que não é isso que nenhum dos doutores desejam.

Só mais uma sugestão, simples: eu era bem novo quando fizeram o plano real, não vou muito com as idéias do Fernando Henrique, mas ele está de parabéns e sugiro que adaptem isso ao caso. Depois de bilhões de planos econômicos infelizes onde 1.000 viravam 1, 10.000 viravam 1, daí congelam os preços, aí a população acostumada a vida toda a inflacionar para não perder dinheiro simplesmente agia assim e o plano afundava. Então chegou o plano real com a URV que era um valor que iria mudando a cada dia. Então, todos se acostumaram com aquele valor mesmo aumentando os preços até que o real fixou um valor e está aí até hoje, porque simplificou e todos puderam entender essa unidade de valor e se acostumar com ela. Sugiro que se crie algo como uma URI (unidade real de imposto) ou outro nome por que este está horrível, somam-se todos os impostos e vai se reduzindo esse valor gradativamente para que nem governo e nem povo sofram o desgaste, e aos poucos vai se equilibrando os valores com a adesão conforme vai se acostumando na cabeça de todos que o sistema esta ficando mais justo. Não é fácil nem rápido, mas é bem simples.

Daniel Krups

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