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Investimentos sociais passam a mirar a inclusão de adolescentes

Folhapress
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São Paulo - Incluir o jovem por meio das artes ou do esporte. Esse é o principal foco da responsabilidade social das empresas no Brasil, de acordo com a décima edição da Pesquisa Nacional sobre Responsabilidade Social nas Empresas. A enquete foi realizada pelo Ires, o instituto de responsabilidade socioambiental da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil).

Desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1999, a criança sempre foi o foco das ações sociais, público-alvo de projetos mais superficiais que demandavam menos comprometimento das companhias.

"Houve uma mudança a partir de 2008, e os dados de 2009 mostram uma consolidação desse foco nos jovens", afirma Lívio Giosa, coordenador do Ires.

"Quem olha para o jovem ou para a comunidade geralmente busca uma intervenção rápida, com reflexo mais imediato em termos de inclusão".

Ele cita, como exemplo, projetos de música clássica na periferia, como a Sinfônica Heliópolis do Instituto Baccarelli, em São Paulo. "Cultura e esporte estão na moda. Projetos nessas duas áreas geram emoção e possibilitam uma transformação visível do jovem", diz o coordenador do Ires.

Considerada a mais importante pesquisa do gênero no país, a enquete do Ires ouviu 3.243 empresas de pequeno, médio e grande porte distribuídas por todas as regiões.

Juntas, essas empresas destinaram R$ 304,5 milhões para projetos sociais externos no ano passado. O valor corresponde a um quarto do orçamento mensal do programa Bolsa Família (R$ 1,2 bilhão), do governo federal.

São os projetos ligados à cultura que recebem mais recursos das empresas (R$ 93 milhões, considerando a soma dos projetos das empresas participantes da pesquisa).

Em segundo lugar no levantamento aparecem os projetos ligados ao esporte (R$ 75,9 milhões) e, em terceiro, à educação (R$ 71,7 milhões).

Uma comparação com os dados da primeira edição da pesquisa mostra uma melhor distribuição dos investimentos sociais das empresas pelas regiões do país.

Em 1999, 83% dos investimentos em responsabilidade social ficavam concentrados no Sudeste. Hoje, a região mais rica do país recebe 65% dos investimentos.

O Nordeste, que recebia 13% há dez anos, hoje recebe 36%. "As empresas estão expandindo seus negócios e levando seu modelo de gestão e de responsabilidade para as outras regiões", diz Giosa.

Impacto da crise

A crise também provocou uma redução das intenções de investimento em ações sociais para 2010. Entre as empresas pesquisadas, 41% disseram possuir planos de aumentar os recursos para seus projetos sociais. Em 2008, esse percentual era de 48%.

"Temos que levar em conta que a pesquisa foi realizada entre os meses de agosto e outubro, quando não se tinha ainda um panorama muito claro de que 2010 seria essa maravilha que está parecendo agora'', afirma Giosa.

O Ires enviou questionários para 8.910 companhias, mas recebeu retorno de 38%, índice que o coordenador considera "bastante significativo''. Das empresas respondentes, 92% disseram que desenvolvem programas sociais voltados para a comunidade.

A criação de uma lei de incentivo fiscal para projetos sociais, uma bandeira antiga do Ires, recebeu o apoio de 91% das empresas pesquisadas.

Rede de fornecedores

Apesar dos avanços, apenas 26% das empresas dizem que estão desenvolvendo algum tipo de ação para organizar uma rede de fornecedores sustentável. Esse tipo de rede é considerada fundamental por ONGs para acabar com desmatamentos, casos de trabalho infantil e outros males.

No ano passado, após denúncias do Greenpeace, frigoríficos, supermercados e grifes se comprometeram a comprar carne e couro unicamente de fazendas que não desmatam a floresta amazônica.

Há ainda o caso da cadeia da soja, que conseguiu frear o desmatamento no campo depois que compradores como McDonald's se comprometeram a só comprar o produto com certificado de origem.

A motivação para os investimentos em ações sociais continua sendo a imagem: 59% das empresas consultadas dizem que é importante agir com responsabilidade social para "melhorar a imagem". Só 14% consideram mais importante identificar-se "como uma corporação cidadã".

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