Regional

Assentados impedem o corte de pinus durante protesto em Iaras

José Maria Tomazela
| Tempo de leitura: 2 min

Iaras - Cerca de 150 moradores do Assentamento Zumbi dos Palmares, em Iaras (90 quilômetros de Bauru), bloquearam ontem a rodovia SP-81 e impediram o início do corte de uma floresta de pinus por uma empresa contratada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O Incra pagou R$ 1,3 milhão para a empresa cortar e transportar a madeira para um depósito da região, mas os assentados exigem que o produto seja vendido e o dinheiro aplicado nos lotes. As máquinas e o pessoal contratado pela empresa foram impedidos de passar pela barreira humana formada pelos assentados. A estrada, que liga as cidades de Águas de Santa e Lençóis Paulista, ficou fechada das 7h às 11h.

De acordo com o presidente da Associação dos Assentados da Reforma Agrária Zumbi dos Palmares (Arzup), José Antonio Maciel, o corte do pinus tinha sido embargado no ano passado pela Justiça Federal depois que o Ministério Público Federal (MPF) constatou que o dinheiro da madeira estava sendo desviado por uma cooperativa ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A cooperativa de Iaras tinha convênio com o Incra para cortar a vender a madeira, aplicando o recurso nos lotes, mas parte do dinheiro desapareceu. Ao constatar as irregularidades, o Incra revogou o convênio. No final do ano passado, o órgão federal fez um acordo com o Ministério Público para retomar o corte do pinus.

Maciel alega que os assentados foram excluídos do acordo. “Não vamos permitir que a madeira dos lotes seja levada sem retorno para os assentados.” Segundo ele, o Incra não fez licitação para a venda do produto que, depois de cortado, precisa ser serrado em no máximo 40 dias. “Depois desse período, a madeira perde valor.” O total a ser cortado em mais de 100 lotes chega a 45 mil metros cúbicos, com valor de R$ 3,5 milhões. Até ocorrer o embargo, a cooperativa do MST havia cortado cerca de 100 mil metros cúbicos, segundo ele. “Quando a justiça embargou, tinha 20 mil metros de madeira amontoados nos carreiros. Hoje, essa madeira está apodrecendo e só serve para queimar.”

Um funcionário do Incra em Iaras esteve no local e prometeu suspender o corte até hoje, quando deverá ocorrer reunião entre os assentados, a superintendência do órgão e o MPF de Ourinhos.

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