Tribuna do Leitor

Não fique aí fora...entre!


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Foi o que disse para meu vizinho, que estava no portão da minha casa, com os olhos esbugalhados, braços tremendo ao lado do corpo. Olhava para mim, mas percebi que não me via. Só depois de algum tempo consegui fazê-lo entrar. Uma boa dose de café sem açúcar o reanimou... E contou sua história:

- Meu filho pediu-me o carro emprestado. Disse-lhe: - Mas você ainda não sabe dirigir! Respondeu-me que pretendia ir a uma festa com mais quatro amigos e que um deles dirigiria o carro. Relutante, concordei, e lá foram eles. Minha apreensão confirmou-se quando recebi um telefonema. Era o delegado, amigo da família. Disse-me: - Tenho uma notícia triste. Seu carro bateu em uma árvore e pegou fogo. Todos morreram carbonizados. Fico contente por saber que não é você. Esperava dar a notícia para sua esposa.

Com o coração batendo, comuniquei-o que havia emprestado o carro para meu filho, e que um seu colega o estava dirigindo. – Espere um pouco, disse o delegado. Conheço seu filho, quem sabe possa identificá-lo. Não saia daí! Te ligo em um minuto! Fiquei olhando para o telefone angustiado. Nunca antes havia pensado em Deus como agora. Na verdade, Deus sempre esteve em segundo plano para mim. Mesmo assim, rezei fervorosamente, pedindo que aquele telefone, quando tocasse, me desse boas notícias. O telefone tocou!... Antes de atendê-lo, pensei: daria minha alma para o diabo se receber a notícia que meu filho está vivo! Atendi. Era o delegado. Disse: - Tranquilize-se. Seu filho está vivo! Um policial o encontrou em um restaurante na estrada, antes do acidente. Foi esquecido lá, após pararem para comprar cigarros. Vá buscá-lo, que ele está te esperando.

Aí, eu lhe perguntei: - Mas por que tanto desespero? Que vão-se os anéis... e fiquem os dedos! Afinal, seu filho está vivo, o carro não importa. Ele disse-me: - Nunca fui religioso. Na verdade, nunca acreditei em nada. Acredito que fui atendido em meu pedido... E não foi por Deus! É o motivo do meu desespero, apesar do meu filho estar vivo!

Emprestei meu carro para que ele fosse buscar seu filho. No caminho, deu carona para um homem, que lhe disse: - Vai buscar seu filho... vivo? Que bom! Vou lhe dizer uma coisa: Deus não faz acordo com ninguém! Quando se pede com fervor, Ele já concede! Naquele momento, você acreditou Nele! Haviam chegado. Ainda ouviu o estranho dizer: - Vai continuar acreditando?! Abraçou seu filho. Olhou para o lado. Não viu mais ninguém!...

Luis Carlos Pasquarelo

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