Washington - Em uma decisão que pode escancarar as portas das milionárias campanhas políticas nos EUA para uma nova enxurrada de fundos privados, a Suprema Corte do país decidiu ontem derrubar uma lei que proíbe corporações de usar verba de caixa para pagar propagandas para candidatos.
A votação apertada, por 5 votos a 4, deverá permitir também que sindicatos participem mais livremente de campanhas. E ficam liberados comerciais temáticos (que não versam sobre candidatos) nos últimos dias de campanha.
Apesar de ter sido mantida a proibição contra doações diretas de corporações e sindicatos a candidatos, a decisão foi considerada um golpe por ativistas que tentam limitar a influência de interesses particulares na política -comerciais de TV e rádio compõem um dos maiores gastos das campanhas.
O juiz Paul Stevens, da ala à esquerda da corte e que votou contra a medida, disse que “a decisão da corte ameaça a integridade de instituições eletivas por todo o país’’.
O presidente Barack Obama não só criticou o fim da proibição, como afirmou que começará imediatamente a trabalhar com o Congresso para dar uma “resposta forte” à ação. “Foi uma vitória da indústria petrolífera, de Wall Street, de seguradoras e outros grandes grupos que usam seu poder todos os dias em Washington para abafar as vozes de americanos comuns”, disse Obama, cuja arrecadação de campanha em 2008 foi recorde também devido a pequenas doações individuais.
Já conservadores como o senador Mitch McConnell, líder da bancada republicana da Casa, celebraram a decisão. “Foi um passo adiante na proteção da liberdade de expressão desses grupos’’, afirmou.
O caso começou quando o grupo conservador Citizens United fez em 2008 um vídeo crítico à então pré-candidata Hillary Clinton. O grupo foi proibido de distribuir o filme mesmo em canais a cabo.
Bilhões em jogo
A expectativa é que centenas de milhões de dólares a mais fluam já para as eleições congressuais de novembro. Mesmo com os limites em vigor anteriormente, o financiamento nos EUA era essencialmente privado. Na disputa presidencial de 2008, a mais cara da história, até novembro os candidatos haviam arrecadado juntos mais de US$ 1,5 bilhão.