Bairros

Montados a cavalo, PMs mantêm a ordem

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Muitas pessoas se perguntam porque a polícia ainda faz uso de cavalos no patrulhamento, afinal, eles são animais grandes e lentos, se comparados com carros e motocicletas. Para o segundo sargento policial militar Carlos Almir Boaventura, responsável pelo Destacamento Montado de Bauru, a explicação é simples e bastante lógica.

“O policiamento montado é muito eficaz. De cima de um cavalo temos uma ótima visão do local onde estamos, o que permite identificar confusões e facilita bastante a patrulha. Quanto ao fato de serem animais mais lentos que os veículos, não faz muita diferença, já que a intenção é inibir a ação de pessoas mal intencionadas. Certamente ninguém gostaria de ser persuadido com uma cavalaria”, explica Boaventura.

Os bairros da cidade são palco para a atuação da Cavalaria da Polícia Militar de Bauru. Usualmente, os locais escolhidos são ambientes onde existe uma grande aglomeração de pessoas, como shows e jogos de futebol, e áreas onde o acesso de veículos é dificultado e a viatura não consegue chegar.

“Quando o local de patrulha fica a menos de seis quilômetros do batalhão, vamos montados; quando a distância é superior, fazemos o transporte dos animais de caminhão até o local”, ressalta Boaventura.

Seleção

Para integrar a equipe do Destacamento Montado de Bauru, os 18 cavalos que lá vivem passaram antes por diversos testes realizados pelo Regimento da Polícia Montada Nove de Julho, de São Paulo, setor responsável pela aquisição dos animais.

Características como a altura, a pelagem, a saúde e os aspectos físicos do cavalo estão na lista de itens exigidos. “Para integrar a cavalaria, o animal precisa ter no mínimo 1,60 metro até o dorso. Outra exigência é a pelagem composta, sem manchas, e o primordial é que ele não apresente problemas de saúde e tenha um galope ritmado”, enumera o segundo sargento policial militar Carlos Almir Boaventura, responsável pelo Destacamento.

Quanto à personalidade, os cavalos precisam ser dóceis porém destemidos, já que levam seis meses para serem domados. “Tem cavalo que se assusta com qualquer coisa e perde o controle. Isso não pode acontecer, por isso o animal precisa ser corajoso”, completa Boaventura.

De acordo com ele, os animais somente são entregues para integrar a cavalaria quando completam, no mínimo, 4 anos de idade. Antes disso são muito jovens para exercer a função.

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Tarefa para cavaleiros

Um dia de serviço é sinônimo de trabalho intenso, tanto para os cavalos quanto para os cavaleiros. A rotina do Destacamento Montado de Bauru se inicia com o expediente dos policiais. A primeira tarefa é uma série de exercícios de preparo físico que eles têm de enfrentar. Já a segunda etapa é um tanto mais complicada: a limpeza.

“Sempre que chegamos aqui temos que higienizar os cavalos e analisá-los. O trabalho envolve escovação da pelagem, limpeza dos cascos, manter as crinas bem aparadas e banhos todos os dias. Temos que realizar este processo de cima para baixo e de frente para trás”, detalha o segundo sargento policial militar Carlos Almir Boaventura, responsável pelo Destacamento. “Outra incumbência que temos é fazer a troca de ferraduras a cada 30 dias”, acrescenta.

Muitas vezes o processo é feito mais de uma vez durante o dia. “Não tem como, você acaba de dar banho e o animal já deita no feno e se suja todo”, revela Boaventura.

A dieta, que consiste em 4 quilos de ração, 4 quilos de alfafa e 50 gramas de sódio, é ministrada em três doses e é especialmente produzida para a cavalaria. E quando o assunto é líquido... os cavalos chegam a ingerir 30 litros de água nos dias mais quentes.

O patrulhamento nas ruas ocupa o restante do expediente, cerca de 8 horas das 12 horas de serviço do policial. “Quando chega a hora de ir para as ruas, eles percebem a movimentação e ficam eufóricos, adoram trabalhar”, garante Boaventura.

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Equoterapia

Todas as segundas-feiras, além do patrulhamento nos bairros, o Destacamento Montado de Bauru realiza a equoterapia com pessoas portadoras de deficiências. No total, 12 alunos da Sorri vão até o batalhão, localizado na Vila Antártica, para participar da terapia.

“Recentemente reformamos e ampliamos o Centro de Equoterapia Capitão Olímpio Cássio Soares para atender estas pessoas. A terapia dura cerca de 30 minutos e cada participante vai acompanhado de dois guias mais o equitador, responsável por observar e corrigir os erros”, explica o segundo sargento policial militar Carlos Almir Boaventura, responsável pelo Destacamento Montado de Bauru.

Dentre os benefícios alcançados pelos praticantes estão a melhora no equilíbrio, coordenação, consciência corporal e funcionalidade. Além disso, a equoterapia ajuda em áreas psicossociais e educacionais, como a atenção, concentração, autoestima e autocontrole.

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