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As misérias da alma humana

Carlos Pinto
| Tempo de leitura: 2 min

Ao iniciar-se a nova temporada do “Big Brother Brazil”, o apresentador se referiu aos participantes em determinado momento, como um “zoológico humano”. Pelo menos foi o que eu e outros entendemos. E se foi exatamente esta a consideração que fez, não cometeu nenhum engano. A televisão brasileira, na sua pobreza criativa, cultural e de costumes, só se especializa na produção desse tipo de lixo cultural e humano.

Correndo atrás de cinco minutos de fama, no melhor estilo de subir na vida sem fazer força, milhares se submetem aos caprichos desses “produtores” da subversão moral, e tentam um lugar ao sol no melhor exemplo da chamada Lei de Gerson. Alguns, alcançam um lugar nesse altar onde vale tudo. Até expor suas frivolidades e tendências sexuais.

Dia desses, uma apresentadora de um programete dessa qualidade, apresentou, devidamente encapuzado, um cidadão que criou um site se utilizando de fotos de uma modelo estrangeira, e através do qual “ela” buscava relacionamentos. Nessa teia, segundo o criador da traquinagem, caíram jogadores de futebol, políticos, gente bem posicionada na sociedade, ávidos por uma noite de amor com a “princesa” fajuta.

E daí se valeu o autor da trama, para chantagear os incautos. E disse claramente que vive disso, e que quando o incauto não paga, ele liga para a esposa do tonto e entrega o marido. E mais, contou quantos casamentos já desfez. E mais, o cara continua solto e o programa no ar.

Quem me conhece, sabe o quanto lutei contra a censura nos tempos dos anos de chumbo. Hoje, quando a dupla Vanuchi/Genro tenta através de uma mini-constituição adjetivada de Direitos Humanos colocar uma rolha nesses desvios dos meios de comunicação, com o que não concordo, sou obrigado também a entender que algo precisa ser feito. Torna-se necessário um mínimo de bom senso, de responsabilidade e de respeito. Há uma tênue linha imaginária que não deve ser rompida, sob pena de tal ação criar uma reação igual ou superior. Quem duvida desta lógica, não conhece a natureza humana.

Existe também, uma sutil diferença entre liberdade de expressão e libertinagem de ação. Critica-se muito o ensino brasileiro, a falta de apoio governamental à produção cultural, e outros itens necessários à sociedade nacional. Porém, a continuidade dessa indigência que as TVs despejam nos lares brasileiros diuturnamente, continuaremos a ser uma republiqueta de terceiro mundo. Não basta passar no caixa e verificar se a empresa está dando lucro. Cada um de nós tem a sua responsabilidade social, e as emissoras de TV mais ainda. Não estamos interessados nas misérias da alma humana, e sim, em bons exemplos que possam edificar um futuro promissor para esta Nação.

O autor, Carlos Pinto, é jornalista

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