Mesmo que você não tenha pique para ir atrás do trio elétrico, não irá se arrepender de visitar Salvador. A cidade é um banho de história, de alegria e de cultura, recebendo apenas no período carnavalesco média de 2,2 milhões de pessoas: 15% de estrangeiros e o restante do Brasil (28% do próprio Estado, 18% de paulistas, 10% de cariocas e o restante de outras partes do País).
Vinte e cinco quilômetros de ruas são interditadas para o povo se esbaldar, mas muitos outros trechos podem ser percorridos pelos visitantes por conta da topografia privilegiada. Situada entre o mar e o morro, divide-se em Cidade Alta e Cidade Baixa e se abre para o mar.
Jorge Amado foi um dos escritores brasileiros que melhor soube traduzir Salvador e a Bahia em palavras. Assim, é fundamental visitar a Fundação Casa de Jorge Amado para iniciar um mergulho de cabeça nesse rico universo.
Localizada no Pelourinho, a fundação tem uma exposição permanente composta por painéis, fotografias, prêmios, condecorações, objetos pessoais e livros que retratam a vida do autor. E esta é apenas uma das inúmeras atrações do Pelourinho, parte do Centro Histórico de Salvador.
Folia
Blocos como os Filhos de Gandhi e Olodum estão sediados no novo e multicolorido Pelourinho. Todas as terças-feiras há ensaio do Olodum no Pelourinho, em uma festa conhecida como “terça-feira da benção”, que se originou do hábito da população negra de ir assistir à missa de terça-feira no Terreiro de Jesus.
Outro destaque é o projeto Pelourinho Dia & Noite, que se realiza em diversas praças e ruas do bairro. O programa leva ao público, diariamente, bailes e espetáculos musicais e teatrais para todos os gostos e com entrada franca.
O bairro oferece ainda diversas opções de bares, restaurantes e lojas de roupas, artesanato e joias. Isso para não falar da arquitetura do Pelourinho, uma atração à parte, com suas casas coloridas e igrejas antigas.
A Igreja de Nosso Senhor do Bonfim é outro ponto turístico que não pode deixar de se visitar. Em outro lugar uma igreja seria apenas um marco da religião católica, mas não na Bahia. O sincretismo religioso típico da região torna a igreja de Nosso Senhor do Bonfim não apenas um centro da fé católica, mas local importante também para os praticantes do candomblé e outras religiões, que coexistem pacificamente e respeitosamente em Salvador, não raro no mesmo espaço.
Exemplo maior é a tradicional Festa do Bonfim. Realizada na segunda quinta-feira depois do Dia de Reis, no mês de janeiro, a lavagem das escadarias da igreja reúne católicos, umbandistas e praticantes do candomblé professando sua fé e pedindo a ajuda do Senhor do Bonfim, que no candomblé corresponde a Oxalá.
* Com informações da Mapa Comunicações
____________________
O Elevador e Itapuã
Do Pelourinho, faz-se uma rápida passagem pelo Elevador Lacerda, que liga a cidade alta à cidade baixa e chega-se ao bairro do Comércio, uma das zonas comerciais mais antigas e tradicionais de Salvador, onde está o Mercado Modelo.
São mais de 200 lojas, que oferecem grande variedade de artesanato, presentes e lembranças da Bahia. Além disso, o Mercado Modelo abriga dois dos mais tradicionais restaurantes de culinária baiana: o Maria de São Pedro, com mais de 80 anos de existência, e o Camafeu de Oxóssi.
Sem deixarmos de falar das praias, Salvador possui muitas praias belas e famosas pela literatura nacional e a música popular brasileira. Uma delas é a de Itapuã. Imortalizada nos versos de Vinicius de Moraes, a praia é ornada por diversos coqueiros altíssimos e é uma das preferidas dos moradores da cidade.
No bairro da Boca do Rio, a Paria dos Artistas é outra boa opção. Ela ganhou esse nome por ser, nos anos 70, ponto de encontro de gente como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e os Novos Baianos. A Praia do Porto da Barra, com ondas calmas e águas de temperatura agradável, ideal para o banho de mar, também é muito procurada.
____________________
Patrimônio da humanidade
A palavra ‘pelourinho’ se refere a uma coluna de pedra, localizada normalmente ao centro de uma praça, onde criminosos são expostos e castigados. O famoso bairro soteropolitano ganhou esse nome porque era lá que os escravos eram chicoteados na época colonial.
Com o fim da escravidão, o Pelourinho se tornou essencialmente residencial e passou por um forte processo de degradação nas décadas de 60 e 70 do século passado, quando muita gente se mudou de lá e o local se tornou um antro de prostituição e marginalidade.
A partir dos anos 1980, no entanto, o Pelourinho passou por um grande processo de revitalização e foi tombado como patrimônio da humanidade pela Unesco, tornando-se um importante centro de efervescência cultural.
____________________
Bahia Bus
Uma boa pedida para conhecer a cidade é o Salvador Bahia Bus. Trata-se de um ônibus panorâmico, de dois andares, que percorre diversas rotas. O passe, uma pulseira, é válido para o dia inteiro, permitindo conhecer a cidade e descer em suas paradas, permanecendo nelas quanto tempo desejar e depois embarcar novamente no ônibus. Depois disso tudo fica fácil entender por que os baianos sempre dizem aos turistas: “Sorria, você está na Bahia!”