Polícia

Delegacia da Mulher desmonta pontos de prostituição

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru realizou ontem uma operação contra a exploração sexual de mulheres na cidade. Uma mulher foi presa, acusada de manter casa de prostituição no Centro. Pela manhã, equipes da Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão numa antiga marmitaria (que serviria de fachada para acobertar a atividade ilegal) localizada na quadra 18 da rua Saint Martin e numa república feminina situada na quadra 1 da rua Aparecida, ao lado da Unidade Móvel do Poupatempo.

Na marmitaria, os policiais flagraram um casal que havia acabado de realizar um programa. O cliente (um pedreiro, que não quis se identificar) e a garota de programa (que também não aceitou fornecer seu nome) foram encontrados seminus na cama.

No quarto, também havia preservativos usados, potes de creme lubrificante e um pênis de borracha. O material foi apreendido e levado à DDM. Uma outra funcionária do estabelecimento aguardava a chegada de um homem, quando foi surpreendida com a chegada dos agentes.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, uma das mulheres, de 44 anos, admitiu que recebe clientes no local, por valores que costumam variar entre R$ 50,00 e R$ 60,00. Ela afirmou que precisa entregar para a dona da casa parte do dinheiro arrecadado com os programas.

“80% ficam para mim e 20% vão para a ‘casa’”, disse. A reportagem apurou que a responsável pelo negócio se chama Letícia Maurício Barros Machado, 32 anos. Ela tem passagem pela polícia por haver mantido uma casa de massagem na rua Sete de Setembro, anos atrás. Atualmente, o local está desativado.

No momento da operação, Letícia não se encontrava no imóvel da rua Saint Martin. Enquanto os policiais vasculhavam a casa, sua mãe, Edília Maurício de Barros Machado, 60 anos, que foi presa, chorava inconsolável.

A polícia apurou que de fato o local abrigou uma marmitaria, por cerca de seis meses. Há aproximadamente dois meses, porém, Edília (que é mais conhecida como Mara) precisou se desfazer do negócio, em decorrência de problemas de saúde.

Mesmo com o estabelecimento desativado, a placa de identificação foi mantida na fachada do imóvel, dando a entender que ali ainda funcionava uma marmitaria. Além dos objetos localizados no quarto do casal que fazia o programa, a polícia apreendeu na casa cadernos usados como livros de contabilidade, onde eram anotadas as quantias diárias repassadas pelas mulheres exploradas. Um cartão encontrado na residência levou os agentes a um outro suposto ponto de prostituição, na rua Aparecida.

Segundo a polícia, o local abrigaria uma casa de massagens. As atuais moradoras (duas mulheres de 34 e 35) alegam que o estabelecimento deixou de funcionar dois meses atrás. Atualmente, o imóvel seria uma mera república feminina.

Estranhamente, as paredes da casa são repletas de avisos com regras de comportamento e asseio. Para a polícia, as listas de normas indicam que mais mulheres costumam frequentar a residência, na condição de prestadoras de serviços sexuais.

A delegada titular da DDM, Luciana Claro Rodrigues, acredita que exista uma ligação entre os dois estabelecimentos. Até uns dois meses atrás, a casa era usada por Letícia como ponto de prostituição. A polícia suspeita que ela continue à frente do negócio. Ela não foi encontrada pela reportagem para dar sua versão do caso. Dentro dos próximos dias, a polícia deverá cumprir novos mandados judiciais referentes à essa questão.

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