Entidades de defesa de direitos humanos, parentes e amigos do mecânico Jorge Luís Lourenço, morto em perseguição policial, se reuniram ontem em frente ao Fórum de Bauru para protestar contra o parecer do Ministério Público (MP) que propõe o julgamento do caso como homicídio culposo (sem a intenção de matar). Em abril de 2007, o rapaz, então com 22 anos, foi baleado durante perseguição realizada pelos policiais militares Lincoln César Cares, Renato Valderramas de Favari e Ricardo Antônio do Amaral.
Inicialmente, o caso havia sido denunciado como homicídio doloso, quando os réus têm intenção de cometer o ato. Porém, no início deste mês, o MP solicitou que o policiais envolvidos no processos respondam por homicídio culposo e que o caso não seja levado a júri popular, o que desagradou familiares e entidades sociais de direitos humanos de Bauru.
“Além da dor da perda, agora sinto essa dor da impunidade. É sofrer duas vezes a perda do meu filho”, relata a mãe de Lourenço, Edite Francisquini Lourenço. A mulher diz ainda acreditar na Justiça e, por esse motivo, participou da mobilização em frente ao Fórum. “Espero que o caso seja resolvido de uma maneira justa, para servir de exemplo para a sociedade. Meu filho era canhoto e colocaram uma arma na mão direita dele, isso não pode ficar impune”, frisa.
A psicóloga Juliana Pasqualini, membro do Grupo contra a Violência e Violação de Direitos Humanos, conta que acompanha o caso e a dor dos parentes desde 2007 e acredita que a desclassificação do crime não condiz com as evidências encontradas no decorrer das investigações. “Nove tiros foram disparados contra ele, todos pelas costas, sendo um na cabeça. Será que os policiais não tinham intenção e nem mesmo assumiram o risco de matar quando atiraram? Essa cultura de truculência ainda está muito arraigada na força policial e é isso que a gente pretende combater”, analisa.
O coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru Gilberto Truijo lembra, no entanto, que a solicitação da Promotoria não define como o caso será julgado. “O juiz ainda não tomou decisão nenhuma, ele pode se posicionar contra o entendimento do promotor. É o que a gente espera que aconteça”, frisa.
Para selar a manifestação de ontem, que ocorreu de forma pacífica, as entidades entregaram um documento ao juiz de direito Benedito Antônio Okuno, reiterando a necessidade de que os réus sejam pronunciados e condenados por homicídio doloso. “As entidades elaboraram e assinaram esse texto para salientar a importância de os crimes terem um julgamento correto, inclusive para a sociedade se sentir mais segura em relação às ações policiais”, frisa Jorge Moura, membro do Instituto Acesso Popular de Educação, Cultura e Política.
Também integraram o protesto o Observatório de Educação em Direitos Humanos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), subsede Bauru do Conselho Regional de Psicologia, subsede Bauru do Conselho Regional de Serviço Social e a Paróquia Imaculada Conceição, entre outras entidades.