Política

Saldos atingem saúde, assistência social e meio ambiente

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

As sobras no caixa se espalharam por outras pastas da prefeitura. Na Saúde a lista de convênios não executados é maior. Uma conta chamada de MAC ficou com R$ 2,2 milhões parados no caixa. São gastos com média e alta complexidade, leia-se Pronto-Socorro, que não saíram das aplicações financeiras.

No programa com nutrição suplementar, a prefeitura também deixou de gastar R$ 1 milhão, assim como ficou na conta R$ 760 mil destinados para programas epidemiológicos, como dengue e leishmaniose, áreas onde a fragilidade da prestação do serviço público é latente.

Mas o secretário de Saúde Fernando Monti também pode ter sido refém de programas carimbados a tal especificidade que não foi possível utilizar R$ 1,5 milhão com aquisição de remédios para asma, rinite e diabetes. Outro dia, Monti contou que o município distribui os kits e as fitas para combate ao diabetes para 3.000 bauruenses. Ainda assim, a conta permaneceu gorda. O mesmo aconteceu com o convênio destinado a gestão do SUS, que teve saldo de R$ 1,1 milhão ao final de 2009.

“Temos em uma parte de nossa área enorme gargalo na capacidade de fazer projetos. A capacidade é bem menor do que queremos. Temos em alguns convênios uma amarração tão específica que o recurso enviado é maior mesmo que o que precisa. Mas também temos uma máquina lenta, que não consegue dar respostas para todas as demandas acumuladas no tempo que a população precisa”, avalia Monti.

Por isto tudo, em saúde, a primeira da lista de pedidos junto com pavimentação, a sobra atingiu R$ 10 milhões, segundo a Secretaria de Finanças, bem acima da cifra apontada pela própria pasta original em recente audiência pública.

A Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) avançou na aprovação de projetos vinculados a assistência, mas também não foi capaz de gastar R$ 1,6 milhão, sendo pelo menos R$ 303 mil de fundo destinado a crianças e adolescentes, R$ 312 mil com o bolsa família e R$ 300 mil de convênio com a Telefonica (não conseguiram realizar a compra de equipamentos de informática, segundo a Sebes, para o projeto seguir).

A pasta de Obras teve represados R$ 6,3 milhões, trata-se da fatia gorda do fundo de infraestrutura que, apesar do lançamento do plano de 500 quadras de pavimentação, entre recape e asfalto novo em 2009, não decolou.

A Secretaria do Meio Ambiente (Semma) voltou a ficar com R$ 1,2 milhão no Fundo do Zoológico, disparado o saldo em caixa mais antigo de todo o governo. Há pelo menos quatro anos o fundo conta com recursos para construir nova lanchonete no Zoológico, entre outros projetos. Mas a obra não sai. A licitação, depois de anos, foi finalmente colocada em prática há pouco tempo.

Nos escaninhos e pilhas de processos de diferentes setores da administração municipal ainda estão outras dezenas de medidas que não decolaram e outras tantas asfixiadas pela burocracia, contas que indicam má gestão e que não foram contabilizadas nesta reportagem.

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