Internacional

Carro-bomba mata 3 e fere 54 em véspera de eleições no Iraque


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Bagdá - Pelo menos três peregrinos iranianos morreram e outras 54 pessoas ficaram feridas ontem após a explosão de um carro-bomba junto a um ônibus na cidade santa xiita de Najaf, no Iraque, a cerca de 160 quilômetros de Bagdá. Ao menos 49 pessoas foram mortas nos últimos dias de campanha eleitoral, algumas delas soldados e policiais que votaram antecipadamente.

As eleições de hoje vão ser um teste para a jovem democracia do Iraque e ajudarão a decidir se o país pode evitar a eclosão de surtos de violência - para, a partir daí, preparar a retirada das tropas americanas, no final de 2011.

O primeiro-ministro Nuri al-Maliki concorre a um segundo mandato sob promessa de prestação de serviços e segurança. Seus adversários são uma coalizão xiita e um grupo sectário e secularista liderado pelo ex-primeiro-ministro Iyad Allawi.

Insurgentes advertiram iraquianos, especialmente a minoria árabe sunita (que são continuístas de Saddam Hussein), a ficar em casa hoje. Militantes sunitas disseram que as eleições vão solidificar o poder de partidos xiitas - que eles veem como hostis, hereges e incapazes de governar.

Não se sabe quem deve vencer a eleição, o que define o cenário para intensas negociações a fim de formar um governo de alianças e, talvez, tornar o Iraque novamente vulnerável a novos conflitos.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, pediu para que todos os iraquianos votassem. “O comportamento pacífico destas eleições é de extrema importância, e deve contribuir para a reconciliação nacional do Iraque”, disse ele, em comunicado.

A violência caiu drasticamente no Iraque, embora tenham havido alguns atentados suicidas desde agosto. “Os ataques nacionais permanecem nos níveis mais baixos desde janeiro de 2004”, disse o porta-voz das Forças Armadas nos EUA, major Steve Lanza, em comunicado.

Segundo eles, os ataques caíram mais de 90% desde que os EUA ampliaram a presença militar no país, em junho de 2007.

Outro fator que contribuiu para a redução drástica foi o fato de que algumas tribos sunitas e ex-insurgentes se voltaram contra a Al Qaeda. Uma milícia xiita contrária à presença norte-americana no Iraque também parou de lutar.

Sem medo

Os insurgentes ameaçaram diversas vezes usar a violência para atrapalhar as eleições. O pleito é crucial para que o governo mostre que está no controle no país e pode superar a violência sectária à medida que as tropas americanas começam a se retirar.

Até mesmo folhetos com a assinatura da Al Qaeda e mensagens contra a eleição foram distribuídos à população anteontem.

O premiê iraquiano, Nouri Al Maliki, afirmou em entrevista à rede de TV CNN mais cedo que não teme o retorno do terrorismo e violência sectária apesar dos ataques pré-eleitorais. “Eu não estou com medo do terror se espalhar ou retornar mais uma vez porque nós temos um Exército, polícia e forças de segurança adequadas. Há união nacional que manteve o esforço de reconciliação entre sunitas e xiitas.”

Ataques

Na última semana, três ataques sucessivos mataram ao menos 12 pessoas na capital Bagdá. Os ataques foram vistos como um sinal do comprometimento dos grupos radicais em frustrar o dia de votação antecipada para agentes de segurança. Os ataques aumentaram os temores de violência e mais atentados hoje, quando cerca de 20 milhões de iraquianos vão às urnas na eleição parlamentar.

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