Por que há tanta fuga de cérebros no Brasil? Essa é uma pergunta comum em geopolítica, uma questão um tanto polêmica. Há alguns dias li uma notícia falando de um engenheiro brasileiro que desenvolveu um sistema computadorizado para prever deslizamentos de terra. Algo que teria grande utilidade ultimamente, principalmente no Brasil. Mas, infelizmente, segundo ele, o projeto não teve nenhum interesse por parte de órgãos brasileiros de Ciência e Tecnologia. Resultado: foi forçado a procurar apoio no exterior e encontrou.
No Brasil há muitos pesquisadores, mentes brilhantes capazes de desenvolver grandes tecnologias que favoreçam o país, mas por falta de investimento, ou mesmo descaso, grandes projetos acabam ficando no papel. Os principais centros de pesquisa em nosso país estão nas universidades públicas, mas o apoio dado aos projetos em desenvolvimento é pouco.
Comparado com grandes potências como os Estados Unidos, o Japão e a Alemanha, o Brasil está no rodapé de um alpe econômico. Basta olhar as pesquisas publicadas. Um robô que reproduz emoções humanas, um material 53% mais duro que o diamante e ossos de aço para próteses são apenas alguns exemplos de tecnologias desenvolvidas nesses países. Enquanto isso os brasileiros ainda sofrem para conseguir apoio em suas pesquisas, por mais simples que sejam.
A questão principal é a educação de base. As crianças são aquelas mais propícias a manter um objetivo na cabeça, algo do tipo “vou ser bombeiro quando crescer”. Não menosprezando nenhuma profissão, mas é difícil você ouvir “vou ser cientista quando crescer”. Por quê? Na escola não há muito incentivo para que as crianças se tornem pesquisadores. Grande parte das escolas públicas, que têm laboratórios instalados, os utilizam com frequência.
É necessário então uma reestruturação escolar, visando o conhecimento teorico e também o prático nas áreas de ciência e engenharia. Não adianta depois ficar dizendo que o “Brasil não vai pra frente” se o próprio país não reconhece suas próprias capacidades. Uma nação com estruturada do ponto de vista de recursos naturais, porém desestruturada na educação e no desenvolvimento. Se você acha tudo isso mentira, jogo aqui uma questão: diga o nome de pelo menos três cientistas brasileiros de destaque e sua contribuição para os dias atuais. Ficou difícil? É isso aí, você não aprendeu nada disso na escola...
O autor, João Paulo de Oliveira Freitas, é estudante de Engenharia Mecânica na Unesp Bauru. Autor do site www.cientecno.com