Polícia

Fábrica de móveis é destruída por fogo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Um incêndio de grandes proporções destruiu por completo uma fábrica de móveis ontem à noite, na Vila Cardia, em Bauru. As chamas, cuja origem ainda deverá ser esclarecida, atingiram cerca de 12 metros de altura e uma extensão de cerca de mil metros quadrados, que compreende toda a área do galpão da empresa. Além do prédio, pelo menos quatro casas foram chamuscadas pelas labaredas e tiveram de ser evacuadas.

Até as 22h de ontem, mais de 30 mil litros de água haviam sido utilizados para combater as chamas e, embora o fogo já tivesse sido controlado, a eliminação de todos os focos de incêndio ainda atravessaria esta madrugada, conforme avaliação do Corpo de Bombeiros. Mas, apesar da dimensão do prejuízo, ninguém ficou ferido.

Conforme informações de moradores das imediações, o incêndio teve início por volta das 20h30. Como a fábrica armazenava grande quantidade de madeira, em poucos minutos todo o prédio que fica na quadra 18 da rua Ezequiel Ramos foi tomado pelas chamas. Para debelá-las, o Corpo de Bombeiros acionou três caminhões-pipa e três caminhões de água do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Além dos portões da própria fábrica, foram utilizados acessos pelas casas vizinhas para o combate ao fogo que, até as 22h30, ainda era visível, mas não representava mais riscos para os imóveis no entorno.

Mesmo assim, os moradores foram orientados pelos bombeiros a não pernoitar dentro dos imóveis em razão do excesso de fumaça, calor e pela falta de energia elétrica. De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros, Hélder Kato, somente uma perícia minuciosa poderá avaliar eventuais danos às condições estruturais das casas vizinhas da fábrica. “Ainda que nenhum dano mais grave tenha sido verificado, durante o trabalho de rescaldo será feita uma avaliação para que os moradores possam voltar para suas residências em segurança”, afirma.

Curto-circuito

Primo do proprietário da fábrica, João Roberto Mendes, 58 anos, foi um dos primeiros familiares a chegar ao local. Com a ajuda de populares, ele ainda conseguiu salvar dois veículos da empresa – um Fiat Uno e um Fiorino – que estavam estacionados na rampa de acesso à entrada principal. O para-choques, a grade e peças plásticas do motor do Uno, que estava próximo a uma porta incendiada, chegaram a derreter com a intensidade do calor e o veículo acabou quebrando no meio da rua.

De acordo com João Roberto, a principal suspeita é de que um curto-circuito na fiação elétrica tenha originado o incêndio. Segundo o proprietário da fábrica, Roberval Silva Mendes, 61 anos, a manutenção do sistema elétrico não era realizada desde a sua primeira instalação, em 1966. “Os fios eram todos embutidos, difícil de mexer”, justifica.

Filho da moradoras de uma das casas atingidas, o aposentado José Roberto Bastazini, 58 anos, conta que sempre teve receio de que um incêndio atingisse a fábrica. “Além de muito material inflamável (madeira), o prédio estava em condições precárias, com a estrutura de madeira apodrecendo e, em alguns lugares, tomada por cupins. Infelizmente, o que a gente não queria aconteceu”, lamenta.

Ainda que as especulações sejam muitas, o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, adianta que somente uma perícia detalhada, que deve ser iniciada ainda hoje, será capaz de apurar as reais causas do incêndio.

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Estabelecimento não tinha seguro

O incêndio que destruiu a fábrica de imóveis na Vila Cardia arruinou também a vida de seu proprietário, Roberval Silva Mendes, 61 anos, que não tinha realizado seguro do seu empreendimento. Avisado por parentes mais de uma hora após o início do fogo, ele permaneceu por longos minutos em frente à entrada principal da fábrica, desconsolado, olhando o fogo que consumia todo o estoque de madeiras, os móveis em fase de elaboração e as 35 máquinas de marcenaria da empresa.

Ao ser abordado pela reportagem, Roberval pouco conseguiu falar, mas revelou não ter dimensão do tamanho do prejuízo com o qual terá de arcar. “Não sei, pode ser R$ 100 mil, R$ 200 mil. Tinha muita máquina lá dentro, muito material. Realmente não sei”, conta, ainda emocionado.

Mesmo diante de toda a destruição, ele afirma que pretende “recomeçar do zero”, já que a marcenaria é a única técnica profissional que domina. “Não me imagino fazendo outra coisa, trabalho com isso desde os 10 anos de idade, com meu pai. Não fiz seguro porque nunca imaginei que uma tragédia dessa pudesse acontecer. Agora, vou ter que reconstruir tudo”, pondera.

Antiga e conhecida fábrica da Vila Cardia, a empresa incendiada foi fundada em 1966 por João Mendes e Orestes Mendes, pai de Roberval. “Criado no meio das máquinas”, como ele mesmo diz, Roberval assumiu a frente dos negócios quando o pai, já idoso, decidiu se aposentar.

Na década de 1990, uma outra fábrica de móveis de propriedade da família Mendes, localizada na avenida Elias Miguel Maluf, em Bauru, também foi completamente destruída por um incêndio noticiado pelo JC.

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