Beber água antes de sair de casa, tossir, espirrar, fazer exercícios físicos e pegar objetos no chão podem parecer atividades simples para boa parte das pessoas, mas se caracterizam verdadeiras ameaças para quem sofre de incontinência urinária. Isso porque, o menor esforço, pode fazê-las urinar involuntariamente, gerando grande constrangimento.
O alarmante é que o problema é mais frequente do que se imagina. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apontam que grande parte dos brasileiros sofre com incontinência urinária, em especial, metade das mulheres com mais de 50 anos de idade.
Aproveitando que hoje é o Dia Mundial de Combate à Incontinência Urinária, a Clínica Integra promoveu na última quinta-feira e sexta-feira o primeiro simpósio sobre o tema. Na ocasião, uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, o médico urologista Paulo Roberto Teixeira Rodrigues, diretor do setor de distúrbio miccional da Beneficência Portuguesa de São Paulo, esteve em Bauru para participar do evento.
De acordo com Rodrigues, a perda de urina vai além do fato de ser uma doença, e passa a se caracterizar como a segunda causa mais severa na perda de qualidade de vida, ficando atrás apenas da depressão.
“As pessoas têm a concepção de que o problema é natural da idade e, ao invés de procurar tratamento, passam a fazer malabarismos para conviver com a doença. Evitam beber água antes de sair de casa, traçam roteiros do local de saída ao destino onde possam encontrar banheiros facilmente, ou ainda, optam pelo uso de forros. É então que o problema, que poderia ser facilmente resolvido, passa a ser um fardo pesado na vida da pessoa”, analisa.
A boa notícia para quem sofre de incontinência urinária é que a união da medicina com a tecnologia já permite alcançar resultados altamente satisfatórios, que transitam entre a casa dos 90% e 100% de eficiência, no tratamento da doença.
Segundo especialistas, a solução varia de acordo com cada caso. A grande inovação é o uso da toxina botulínica, o botox, no tratamento. Além de obter resultados que se mantêm satisfatórios a longo prazo, a técnica também é minimamente invasiva, aplicada por meio de de injeções.
Outra técnica bastante eficiente e pouco invasiva é a cirurgia que faz uso de telas importadas para conter a bexiga. De acordo com Aguinaldo César Nardi, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Urologia e diretor da Clínica Integra, a solução é bastante acessível. “Algumas telas podem ser encontradas por R$ 1.500,00, mas é claro que os valores variam de acordo com cada caso. Atualmente, a grande maioria dos planos de saúde já cobre este tipo de operação, embora o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não tenha incorporado o procedimento”, afirma.
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Prevenir é possível
Tão importante quanto saber que a doença tem tratamento é saber que ela tem prevenção. De acordo com o médico urologista Paulo Roberto Teixeira Rodrigues, diretor do setor de distúrbio miccional da Beneficência Portuguesa de São Paulo, causas simples, e que podem ser evitadas, somam para o desencadeamento da incontinência urinária.
“A pessoa que fuma, por exemplo, costuma tossir mais vezes que a não-fumante. Cada tosse significa um esforço a mais da bexiga, o que com o tempo pode se tornar um problema”, aponta.
Outro catalisador é a obesidade. Segundo Rodrigues, a cada um ponto ultrapassado no cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) as chances de se ter disfunções na urina aumentam em 12%.
A maior incidência do problema entre as mulheres também tem explicação. Se de um lado o parto natural soma pontos em relação à rápida recuperação, por outro lado tende a provocar um afrouxamento na bexiga.
Além disso, Aguinaldo César Nardi, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Urologia e diretor da Clínica Integra, ressalta que também é possível que a incontinência urinária seja apenas o primeiro sintoma de uma outra doença, como o mal de Parkinson, por exemplo. “Por isso, ao notar o problema, a melhor alternativa é buscar tratamento”, orienta.