Mais 18 casos de dengue foram confirmados ontem em Bauru, dos quais 13 são autóctones, ou seja, contraídos na própria cidade, o que comprova que há mosquito infectado com a doença circulando. Além disso, tem aumentando o número de pessoas que diariamente surgem com suspeita de dengue. E, ao mesmo tempo, o percentual de resultados positivos. Agora, neste ano, já são 66 casos da doença espalhados por vários bairros. Considerando todos estes fatores, Bauru já vive epidemia de dengue.
Flávio Tadeu Salvador, diretor substituto do Departamento de Saúde Coletiva, confirma a situação de epidemia e ressalta que a dengue em Bauru está numa curva ascendente. “O vírus começou a circular em Bauru há pouco mais de um mês, quando começaram a surgir os casos autóctones. É impossível estimar quantos casos ainda serão registrados, mas com base nos anos anteriores, sabemos que a tendência é de aumento até meados de abril quando as condições de proliferação do mosquito Aedes aegypti (o inseto se procria em água parada) são favoráveis”, afirma.
Após o início do outono, com temperaturas mais amenas e menos chuva, a tendência é reduzir a procriação do mosquito transmissor da dengue e, assim também o número de pessoas infectadas pela doença. Mas até lá, o número de casos pode aumentar bastante. “Tivemos um período seco, mas agora choveu e a umidade relativa do ar está alta, o que favorece a eclosão dos ovos (do mosquito) que não tinham eclodido. Daqui a dez dias devemos ter uma alta na infestação”, explica Salvador.
O diretor substituto do Departamento de Saúde Coletiva chama a atenção que estão surgindo muitos casos de dengue na região sudeste de Bauru (Ferradura Mirim, Parque Bauru, Jardim Olímpico, Jardim Redentor, Jardim Carolina e Núcleo Geisel), que em 2007 teve três ciclos da doença. A preocupação dele é com a possibilidade do surgimento de casos hemorrágicos.
A dengue é uma doença infecciosa que se apresenta em duas formas. Uma é a clássica, que é predominante, cujos sintomas são febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores nas costas e manchas vermelhas pelo corpo. A gravidade dos sintomas, que duram em média sete dias, varia de pessoa para pessoa. A outra, mais grave, que pode levar à morte, é a hemorrágica. A pessoa pode desenvolver a forma hemorrágica se contrair a doença numa segunda, terceira ou quarta vez de sorotipo diferente da anterior.
Em 2007, o sorotipo da dengue que circulou em Bauru foi o 3. A Secretaria Municipal de Saúde ainda aguarda o resultado do exame que apontará qual é o sorotipo deste ano, mas acredita-se que seja o tipo 1, encontrado em várias outras cidades com epidemia de dengue neste ano. “Se em Bauru for o sorotipo 1, nós temos de aumentar o nível de alerta. Neste caso, a rede municipal de saúde terá de estar mais sensível aos sinais clínicos que apontam para o quadro hemorrágico da doença”, frisa Salvador.
Por enquanto, de acordo com Salvador, nenhuma das pessoas que contraiu dengue em Bauru apresentou sinais de dengue hemorrágica. Todos os 66 pacientes diagnosticados neste ano receberam tratamento ambulatorial. A última grande epidemia de dengue em Bauru foi em 2007, com 2.131 pessoas infectadas. Em 2008 o número caiu para 146 casos. E em 2009 reduziu ainda mais, somando 23.
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Combate conta com conscientização e nebulização
De acordo com Flávio Tadeu Salvador, diretor substituto do Departamento de Saúde Coletiva, 120 agentes de endemias trabalham no combate à dengue em Bauru, que inclue a busca de pessoas sob suspeita da doença e de criadouros do Aedes aegypti. E outras 10 equipes trabalham na aplicação do inseticida para matar os insetos adultos.
O Aedes aegypti, que transmite a dengue, se procria em água parada. Períodos de calor e alta incidência de chuva, como foi o mês passado, são propícios para a reprodução do inseto. No Estado de São Paulo, Marília. São José do Rio Preto e Ribeirão Preto enfrentam epidemia da doença.
A Secretaria Municipal de Saúde tem realizado busca ativa nos bairros onde foram registrados casos de dengue, que visa localizar pessoas com sintomas e criadouros do mosquito, como vasos flor com água, pneus, garrafas e outros vasilhames em locais descobertos que acumulem a água da chuva, e feito nebulização para matar os insetos adultos – as larvas não morrem com o inseticida.
O Aedes pode se procriar nestes locais e até numa tampinha de garrafa pet com água. Lixo como copos, garrafas e outros recipientes que possam acumular água, comuns em vários terrenos baldios da cidade, podem tornar-se criadouros do mosquito.
O aposentado José Cavalieri, que mora no Jardim Brasil, por exemplo, reclama de galhos de árvore que caíram com o temporal de janeiro e até agora não foram recolhidos, na quadra 13 da rua Xingu. Ao lado dos galhos, a população joga copos e outros recipientes que podem acumular água. “Aqui em casa eu aplico inseticida. Dizem que tem uma pessoa com dengue aqui na região e hoje (ontem) os funcionários da saúde passaram por aqui”, comenta.
Como medida preventiva, no início do ano a Secretaria de Saúde anunciou que caso haja resistência dos moradores em liberar o acesso dos agentes de endemias aos imóveis para vistoria, os responsáveis estão sujeitos a multas que vão de R$ 250,00 a R$ 2.500,00, dependendo da gravidade do caso.
A determinação de multa, se for necessária, está mantida, segundo a Secretaria de Saúde. Mas a pasta esclarece que não tem como objetivo principal punir a população, e sim conscientizar a todos de que a colaboração de toda a comunidade é imprescindível para o controle da doença.
Se o mosquito infectado picar uma pessoa sadia, ela será contaminada com a doença. E, a partir daí, se esta pessoa com dengue for picada por um mosquito sadio, ele se contaminará, ampliando ainda mais a possibilidade de transmissão da moléstia.