Política

Poços do aterro estão irregulares

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Técnicos de São Paulo da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) encontraram ontem várias irregularidades nos poços situados no aterro sanitário de Bauru. A equipe iniciou o procedimento de coleta de água dos poços abastecidos pelo Aquífero Bauru. O objetivo é verificar se o líquido está contaminado com chumbo, como indicaram os laudos mais recentes obtidos pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), responsável pela administração do aterro.

Assim que a presença do metal na água dos 14 poços foi divulgada com exclusividade pelo JC, a Emdurb admitiu que poderia ter havido falha na coleta das amostras de água. Ontem, essa possibilidade foi reiterada por profissionais da Emdurb justamente por conta dos problemas na manutenção dos poços de monitoramento. Os pontos insatisfatórios foram detectados já na primeira análise, iniciada pelo poço 3. Ele não estava lacrado, como preveem as normas regulamentadoras (ABNT). Pelo contrário. Havia uma bomba instalada nele utilizada para retirar água, destinada a lavar veículos e molhar a vegetação, por exemplo.

Segundo a própria Emdurb, os funcionários do aterro consomem água de um poço artesiano situado nas unidades prisionais instaladas nas imediações (neste caso, o laudo mais recente – de janeiro deste ano - atesta qualidade para consumo humano).

A instalação da bomba no poço 3 é irregular porque ele deveria estar lacrado. Atualmente, os poços contam apenas com tampa de alvenaria. Uma outra de metal deveria ser colocada para que o lacre com cadeado fosse possível.

Sem o dispositivo de segurança, qualquer um de má-fé é capaz de abri-los e até sabotá-los. Os poços são de fácil acesso. O trânsito pelo aterro está livre porque a estrada de acesso às penitenciárias 1 e 2 está interditada em virtude de uma erosão. O ideal ainda seria que a Emdurb tivesse instalado uma espécie de tampa, conhecida como caps, na extremidade superior de cada um dos poços (depois, então, a de metal seria colocada por último e lacrada com cadeado). Por não contar com o caps, os poços estão sujeitos à contaminação de vários elementos, inclusive à visita de formigas e pererecas, por exemplo.

Se caírem dentro deles, qualquer análise bacteriológica apresentará resultado alterado, explicou Fernando Caires, técnico de saneamento ambiental da Cetesb. Eventuais sanções dependerão dos novos laudos.

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Coleta será feita hoje

O trabalho da Cetesb terá continuidade hoje. A Cetesb mediu ontem a profundidade dos poços, o nível das águas e os esvaziou. O esgotamento dos poços é necessário para evitar a coleta de água estagnada.

Para fazer o trabalho, a Cetesb utilizou um tipo de cano conhecido por bailler, descontaminado em laboratório. Um bailler é usado para fazer o esgotamento e outro para a coleta da água. Serão necessários, portanto, 28 bailler para fazer o trabalho nos 14 poços em Bauru. Parte das amostras será encaminhada para análise no laboratório da Cetesb em São Paulo e Ribeirão Preto. Além de metais, serão analisados elementos orgânicos e os vinculados a combustível (BTX). Em 30 dias o resultado deve ser conhecido.

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Emdurb faz contratação

Começou a trabalhar ontem a gerente ambiental da Emdurb, Flávia de Souza, justamente na data em que a Cetesb iniciou a coleta de água dos poços suspeitos de contaminação com chumbo. Ela terá incumbência, por exemplo, de criar procedimentos de monitoramento dos poços compatíveis com as determinações da Cetesb.

De acordo com Flávia, a própria Emdurb coletará suas amostras na próxima semana, para enviá-los à análise.

Com a iniciativa, a Emdurb contará com três laudos para confrontar resultados. Um da Cetesb, um laboratório credenciado e o terceiro do laboratório de Saneamento do Departamento de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP), situado em São Carlos.

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