Cultura

Cultura ‘escondida' no Brasil

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 2 min

Histórias, relatos e exemplos de cidadãos comuns dedicados à difusão da cultura são a matéria-prima de “Ponto de Cultura - o Brasil de Baixo Para Cima”, do historiador Célio Turino. Lançado ontem, em Bauru, durante efetivação do edital para criação dos pontos de cultura na cidade, o livro reúne as experiências vividas pelo autor como idealizador e gestor do programa.

“É uma mistura de teoria, crônica, literatura, poesia. O livro traz uma série de histórias que eu pude acompanhar com a atuação no projeto, além da história do ponto de cultura. Ele é ainda uma descoberta sobre mim mesmo como homem social e político. Vou tentando me entender nesse processo e isso acabou também entrando no livro”, resume Turino, Secretário Nacional de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (MinC).

Com as histórias relatadas na publicação, o autor procura mostrar a diversidade da cultura “escondida” pelo País. “No Vale do Jequitinhona (MG), por exemplo, uns meninos fizeram uma turnê com Milton Nascimento e cada um ganhou R$ 2 mil. Eles procuraram o MinC para criar um ponto de cultura porque queriam dar um cinema para a cidade. Na época, precisava de uma contrapartida - que agora é feita pelas Prefeituras - e eles juntaram R$ 40 mil para o cinema”, conta.

“Essas e as outras histórias mostram que, enquanto na super estrutura da política a gente vê o patrimonialismo, a privatização do público, na base da sociedade o que vai brotando é o oposto disso: você transforma o privado em publico, é uma doação plena. Tem gente que dá sua garagem para montar um biblioteca comunitária, seu tempo para fazer oficina”, completa.

O ponto de cultura nasceu em 2004, quando Turino foi convidado a integrar a então Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura, hoje Secretaria Nacional de Cidadania Cultural, ainda sob a gestão Gilberto Gil. “Ele (Gil) me chamou para apresentar uma proposta descentralização da cultura. No início, a ideia era a construção de centros culturais, só que isso ia ficar caro, ia acabar não tendo um grande efeito”, comenta.

“Como o mais importante para a cultura não é o prédio, mas as pessoas, propus a ideia de fazer essa inversão”, completa sobre o nascimento do programa. Segundo dados do secretário, atualmente o Brasil possui 2.500 pontos de cultura, sendo 11 deles em Bauru - 10 por meio deste atual convênio com o MinC e um fruto de uma parceria entre o Ministério da Cultura e o governo paulista (o contemplado foi o Instituto Cultural Yauretê).

Célio Turino é indaiatubano, mas criou-se em Campinas. É graduado e mestre em história pela Unicamp e há mais de 20 anos é servidor público. Foi secretário Municipal de Cultura de Campinas de 1990 a 1992. Foi também diretor do Departamento de Programas de Lazer na Secretaria de Esportes, na gestão Marta Suplicy.

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