Moscou - A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, e seu colega russo, Serguei Lavrov, demonstraram publicamente divergências em relação ao programa nuclear do Irã ontem, no primeiro dia de visita da americana a Moscou.
Enquanto Hillary e Lavrov entravam em reunião, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, anunciou que o reator nuclear russo em construção na cidade iraniana de Bushehr deve começar a operar nesse verão (inverno no Brasil).
Questionada sobre o anúncio de Putin em entrevista coletiva, Clinton respondeu que, se o Irã assegura ao mundo que não está buscando armas nucleares, então poderia desenvolver energia nuclear para fins civis.
“Na ausência dessa segurança, achamos que seria prematuro ir adiante com qualquer projeto nesse momento, porque queremos mandar uma mensagem inequívoca aos iranianos”, disse a secretária de Estado.
Em oposição, Lavrov defendeu a cooperação nuclear russa com Teerã, afirmando que isso permitiria monitorar o país. “Bushehr tem um papel-chave em manter a presença da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) no Irã, e em garantir que o país está cumprindo com suas obrigações de não proliferação.”
“Ainda restam oportunidades para a diplomacia”, declarou Lavrov, referindo-se à vontade americana de que a ONU imponha novas sanções contra o Irã. “Continuamos comprometidos com uma solução diplomática, mas é necessário uma solução”, respondeu Clinton.
As declarações de Lavrov são um balde de água fria para a diplomacia norte-americana, que acreditava só faltar convencer a China para que o Conselho de Segurança da ONU adotasse mais sanções contra o Irã.