Nacional

Depoimentos longos devem levar fim de júri para mais de cinco dias

Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

São Paulo - Com depoimento de quase quatro horas, como o de ontem, do perito Luiz Sérgio Tieppo, o julgamento do casal Nardoni se arrasta e deve extrapolar a previsão de que acabaria em cinco dias. Em dois dias de trabalho, apenas quatro das 16 testemunhas foram ouvidas.

Hoje cedo, a sessão será aberta com o depoimento da última testemunha de acusação, a perita criminal Rosângela Monteiro. Depois dela, mais 11 pessoas ainda serão arguidas pelas duas partes.

O trâmite do julgamento continua com o depoimento dos réus, o debate entre o promotor e o advogado de defesa para, só assim, sair a sentença.

Entre os advogados criminalistas existe um movimento para que a leitura dos autos, por exemplo, que costuma ocorrer nas primeiras horas do tribunal, fosse encurtada.

O julgamento revela mais um problema. Não são apenas os pontos polêmicos que são debatidos. Muitos depoimentos apenas confirmam informações que já estão no processo.

Até agora, foram ouvidos dois peritos criminais (além de Tieppo, o perito baiano Luiz Carvalho) e a delegada do caso, Renata da Silva Pontes.

Anteontem, a mãe da vítima, Ana Carolina Oliveira, fez um depoimento pautado pela emoção. Alexandre Nardoni foi retratado como violento e Anna Jatobá como ciumenta.

O advogado da defesa pediu que Ana Carolina não fosse liberada -ele deve ficar à disposição caso haja necessidade de acareação com os réus. Ana está isolada e não pode assistir ao julgamento. A delegada Pontes também não foi dispensada.

____________________

Advogado descarta possibilidade de o casal Nardoni ser culpado

São Paulo - O advogado Roberto Podval, que defende o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, afirmou na manhã de ontem que não trabalha com a hipótese de os acusados serem culpados pela morte da menina Isabella, 5 anos, filha de Alexandre. Ela morreu em março de 2008, ao cair do sexto andar do prédio onde morava o casal, na zona norte de São Paulo.

A afirmação do advogado foi feita durante sua chegada ao fórum de Santana, onde ocorre desde as 10h05 o segundo dia de julgamento do casal. Alexandre e Anna Carolina negam o crime.

Anteontem, no primeiro dia de julgamento, apenas a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, prestou depoimento. Após ser ouvida pelo juiz Maurício Fossen, a defesa do casal pediu para que ela não fosse dispensada, pois poderia ser novamente requisitada durante o júri. Podval avalia uma acareação entre ela e o pai de Isabella.

Ao ser questionado nesta terça sobre a decisão, o advogado afirmou que é “triste e desagradável” manter Ana Carolina retida e impossibilitada de assistir ao julgamento, mas afirmou que essa era a única alternativa para que a defesa do casal pudesse ouvi-la posteriormente.

As escoltas de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar Isabella Nardoni em março de 2008, chegaram por volta das 8h30 de ontem ao Fórum. Assim como ontem, os veículos entraram pela parte lateral do prédio. Alexandre saiu do Centro de Detenção Provisória de Pinheiros e Anna Carolina, da Penitenciária Feminina do Carandiru, onde passaram a noite.

____________________

Promotor usa maquetes do edifício dos Nardoni

São Paulo - O promotor Francisco Cembranelli utilizou duas vezes, ontem, as maquetes do edifício London, localizado na norte de São Paulo, onde Isabella Nardoni morreu em março de 2008. As miniaturas foram usadas durante o depoimento da delegada Renata Helena Silva Pontes, neste segundo dia de julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá -acusados pela morte da menina- no Fórum de Santana.

As maquetes foram feitas especialmente para o julgamento, a pedido da acusação. Uma delas, que mostra o apartamento onde moravam os acusados, foi utilizada para que a delegada mostrasse o local das marcas de sangue encontradas no quarto dos filhos de Alexandre e Anna Carolina, local de onde Isabella foi jogada.

A segunda maquete, que mostra a parte externa do prédio, foi usada por Cembranelli para mostrar detalhes sobre o sistema de segurança do local. A eventual falta de segurança do prédio já foi abordada diversas vezes pela defesa dos acusados como forma de justificar a existência de uma terceira pessoa no local do crime, hipótese negada pela acusação.

Também no depoimento prestado ontem, a delegada afirmou ter levado 18 horas para concluir o boletim de ocorrência sobre a morte de Isabella. No momento da conclusão do boletim, segundo ela, não havia mais dúvida de que o caso não se tratava de latrocínio (roubo seguido de morte) como apontava o casal, mas de homicídio.

____________________

Reter mãe de vítima durante júri é punição, diz promotor

São Paulo - O promotor Francisco Cembranelli voltou a pedir, ao final do segundo dia do júri do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que a mãe da menina Isabella seja liberada para assistir ao julgamento. Para o promotor, Ana Carolina Oliveira, retida desde anteontem a pedido de defesa dos acusados, “está sendo punida por ser testemunha”.

A mãe de Isabella está isolada e ocupa dependências da Justiça. O advogado Roberto Podval, que defende o casal Nardoni, alega que Ana Carolina pode ser novamente requisitada durante o julgamento e precisa ficar à disposição caso isso ocorra.

“Ela (Ana Carolina) passou mal à noite e recebeu atendimento psicológico. Ela está sendo punida por ser testemunha. Rezo para que nada de mal aconteça à ela. Que ela sobreviva, e a defesa recupere o bom senso”, disse o promotor.

Cembranelli considera que a decisão de reter a mãe de Isabella e a delegada Renata Helena Silva Pontes - também a pedido da defesa do casal Nardoni - é uma espécie de “prisão temporária”.

Apesar da solicitação para que Ana Carolina fosse liberada, a defesa dos réus reafirmou o pedido para que ela permaneça à disposição da Justiça e, consequentemente, impedida de acompanhar o julgamento.

Comentários

Comentários