Política

Vigias em escola só com muita ocorrência

Por Luciana La Fortezza | Com Da Redação
| Tempo de leitura: 6 min

Só neste mês, a Escola Municipal de Educação Infantil Integrada (Emeii) Iara Conceição Vicente, no Jardim Chapadão, foi furtada três vezes. O problema, no entanto, não é pontual. Várias outras instituições de ensino ligadas à Prefeitura de Bauru também recebem ‘visitas’ contumazes de interessados em praticar furtos e depredações. Quando as repetidas ocorrências chamam a atenção da Divisão de Vigilância, a escola recebe um vigia fixo, como é o caso da própria Emeii Iara Conceição Vicente.

Regra geral, as unidades de ensino apenas fazem parte da lista de prédios públicos a serem visitados pela ronda instituída pela administração municipal, especialmente no período noturno. Excluindo as mais problemáticas, as escolas não fazem parte da relação de prioridades, composta pelo Paço Municipal, o Jardim Botânico, Zoológico, Teatro Municipal, Usina de Asfalto, Pronto-Socorro, além de prédios mais distantes como o da Secretaria de Obras.

Quem tem disposição para dilapidar prédios construídos com o suor de todos os contribuintes parece saber onde atuar. Em alguns casos, não se importam nem com o vigia fixo. É o que relatam moradores da zona Noroeste de Bauru. Numa das escolas de educação infantil, entraram no Carnaval e levaram lenços umedecidos, fraldas e shampoos - produtos obtidos por doação. Constantemente, jovens pulam as cercas para brincar no parque destinado às crianças.

“O vigia se cala porque se denunciar, morre. A gente também tem medo de falar. Eles ameaçam”, conta a avó de uma das crianças matriculadas. Numa outra escola não muito distante de lá, saquearam a despensa e, em sinal de afronta, evacuaram na casinha de boneca. O atrevimento é tanto que provocou constrangimentos ao próprio chefe do Executivo, Rodrigo Agostinho. Conforme o JC divulgou, no final do mês passado, na noite que antecedeu a reinauguração da Emeii Antonio Daibem, no Jardim Vânia Maria, a instituição foi furtada.

Levaram computadores do Polo de Informática da unidade. Ao conferir as ocorrências no plantão da Polícia Civil, a reportagem constatou que ocorrências semelhantes acontecem praticamente toda semana nas escolas de Bauru.

Números

A prefeitura é responsável por 16 escolas de educação fundamental e outras 60 de ensino infantil. O número é o mesmo do total de vigias disponíveis por dia (60) - incluindo servidores em férias e em licença.

No total, a Divisão de Vigilância conta com 220 servidores, que se revezam em turnos de 12 horas por 36 horas. Devem fiscalizar 180 prédios públicos. Para que todos eles estivessem realmente assegurados, a prefeitura deveria contar com uma equipe de 700 pessoas, conforme o JC apurou. Com o quadro restrito, grande parte das fiscalizações é feita por meio de ronda. Para tanto, o município foi dividido em quatro áreas - conforme a distribuição geográfica da Polícia Civil. Com quatro viaturas e dois homens em cada, a ronda tem trajeto estabelecido. Uma quinta viatura também trabalha no período noturno.

Os outros profissionais, quanto não estão em férias ou licença, se revezam em posições fixas nos dois períodos. Até meados de 2008, o volume de vigias que permaneciam a noite toda nas escolas era muito maior, conforme informações obtidas junto à Secretaria de Educação. Posteriormente, com o quadro enxuto, apenas alguns estabelecimentos passaram a ser priorizados. Por enquanto, no entanto, ainda não há previsão de contratações. Com a reforma do organograma em pastas como a Saúde e a Educação, por exemplo, é possível que funcionários sejam remanejados para a divisão.

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Notificação passou a ser obrigatória

A partir da gestão de Rodrigo Agostinho, qualquer ocorrência (de furto ou depredação, por exemplo) deve ser comunicada à Divisão de Vigilância. A obrigatoriedade ajuda a balizar o trabalho de segurança, informa Victor de Barros Rodrigues, corregedor responsável pela divisão. De acordo com ele, a notificação interna não era exigida em administrações anteriores.

Ainda assim, ele ressalta que os problemas diminuíram entre os anos de 2008 e 2009 e a queda continuou gradativamente neste ano. Sem apresentar números, aponta a diminuição em 30%. “Já o boletim de ocorrência é obrigatório sempre que houver dano ao patrimônio público”, orienta. Em muitos casos, ele acredita que a conscientização da comunidade no entorno da escola seja a alternativa mais eficaz para sanar o problema.

Ainda assim, ao assumir a divisão, tomou iniciativas como a de uniformizar todos os vigias, que fizeram curso de reciclagem com a Polícia Militar. Atualmente, os profissionais também contam com celulares corporativos para facilitar a comunicação entre eles. A ideia é diminuir o tempo de resposta frente a uma ocorrência. Ao identificar um problema, os profissionais são orientados a acionar a PM, que checará a necessidade de levar o caso à delegacia de polícia.

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Escolas mais furtadas terão alarmes

As 38 escolas mais problemáticas contarão, em breve, com sistema de alarme. A licitação para a compra do dispositivo de segurança já foi homologada e o contrato está em fase de assinatura. Por questões de segurança, Victor de Barros Rodrigues, corregedor responsável pela Divisão de Segurança, não indicou onde os sensores serão instalados e quais as entidades beneficiadas.

Elas, porém, representam 50% do total de 76 unidades escolares da prefeitura. O número demonstra que o problema de furtos e depredações atinge, no mínimo, a metade das instituições - espalhadas em diversos bairros também não citados pela mesma razão. Ainda assim, por enquanto, não há qualquer previsão da instalação de videomonitoramento, como devem receber o Parque Vitória Régia e o Centro da cidade.

Conforme o prefeito Rodrigo Agostinho informou em recente matéria do JC, ele planeja instalar as câmeras para 2010 a fim de inibir a ação de vândalos, embora a medida não evite totalmente as ocorrências. A mesma advertência foi feita pelo comandante interino do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), major Nelson Garcia Filho. Ele acredita, porém, que qualquer ferramenta a mais no quesito segurança é bem-vinda.

Acusados presos

A PM prendeu na semana passada dois homens suspeitos de participação em dois dos três furtos ocorridos na Emeii Iara Conceição Vicente, no Jardim Chapadão. Conforme o JC veiculou, Lucas Batista da Silva, 19 anos, também conhecido como Pulga, e Wagner Chaves Pereira, 20 anos, apelidado de Baga, foram detidos após cometerem outro delito - invadirem uma loja de cosméticos na avenida Cruzeiro do Sul e levarem cerca de R$ 700,00 em produtos (entre sabonetes, xampus e cremes corporais).

Uma semana antes das prisões, logo após a terceira ocorrência na Emeii, o local passou a contar com vigilância em tempo integral, além da ronda. Antes, os profissionais atuavam em esquema de revezamento.

Qualquer morador que tenha reclamações ou sugestões com relação ao trabalho de vigilância pode procurar o Paço Municipal para registrá-las, informa Victor de Barros Rodrigues, corregedor responsável pela Divisão de Segurança.

De acordo com o corregedor, as pessoas que relataram o caso do vigia ameaçado na zona Noroeste deveriam tomar a mesma providência. Neste caso, a segurança seria incrementada.

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