O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região conseguiu na Justiça, por meio de liminar, a suspensão de transferências de funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) da cidade para São Paulo. À sentença ainda cabe recurso, mas foi considerada pelos sindicalistas uma grande vitória numa guerra que está apenas começando.
A CEF está reestruturando suas repartições. Algumas chamadas áreas-meio, como as relativas ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e moradia das agências do Interior, serão centralizadas na Capital. Por isso, de acordo com o sindicato, cerca de 70 bancários de Bauru e região deveriam se mudar para São Paulo. Para evitar essa transferência compulsória, a entidade ingressou com ação na 4ª Vara do Trabalho de Bauru. No final de março, a juíza Ana Cláudia Pires Ferreira de Lima concedeu liminar favorável ao sindicato, impedindo as transferências e mantendo funções e remunerações desses bancários inalteradas. Em caso de descumprimento, o banco deverá pagar multa diária de R$ 500,00 por trabalhador.
Segundo o coordenador do sindicato Paulo Tonon, com a mudança, os setores de seguridade social e moradia reduziriam seus quadros de 110 para 40 funcionários. “O restante seria mandado para a Capital.”Ele explica que a partir do momento em que a medida foi anunciada o sindicato acionou a Justiça, por isso, nenhum bancário precisou sair da cidade.
Tonon avalia que um dos problemas da decisão da CEF foi ter dado início à reestruturação sem ter dialogado com os trabalhadores. “Além disso, esses serviços são sociais e estão sendo deixados em segundo plano pelo banco. Como você vai centralizar todo o setor de moradia em São Paulo, com um número limitado de bancários, se o governo tem investido no ‘Minha Casa, Minha Vida? O programa ficará emperrado, com os processos parados em um único lugar”, avalia. Apesar da decisão favorável obtida na Justiça, ele reconhece que a batalha ainda deve perdurar.
“Esse confronto está só começando. Eles deverão apelar da decisão e ainda acredito que vão estender a reestruturação para outras áreas-meio”, observa. Segundo Tonon, somente nessas funções trabalham 150 bancários em Bauru e região. Procurada pelo Jornal da Cidade, a CEF informou que deverá apresentar recurso na Justiça contra a liminar.